Ruas perto de hospitais e do metrô são as preferidas dos ladrões de carro

Loefgreen, na Vila Mariana, Maestro Cardim, no Paraíso, e Barão do Bananal, na Pompeia, estão hoje entre as mais perigosas

Marcelo Godoy, O Estado de S.Paulo

20 Abril 2010 | 00h00

A proximidade com grandes hospitais e estações do metrô é o principal atrativo para os ladrões de carros em São Paulo. É isso que mostra o mapa do roubo e do furto de veículos na capital paulista. Um levantamento exclusivo feito pelo Estado revela as ruas mais visadas pelos ladrões em 2009, nas oito regiões em que a polícia divide a cidade, e os horários e dias preferidos pelos bandidos para agir.

A pesquisa foi feita na base de dados do Infocrim, um sistema de dados criminais da polícia, cujo conteúdo é mantido em sigilo mesmo quando pode ajudar a prevenir crimes. Foi por meio desses dados que ficou possível determinar que em três regiões - sul, oeste e centro - as vias recordistas de furtos ficam perto de hospitais. São elas: a Loefgreen, na Vila Mariana (zona sul), a Maestro Cardim, no Paraíso (centro), e a Barão do Bananal, na Pompeia (zona oeste).

As Ruas Loefgreen e a Maestro Cardim são velhas conhecidas da polícia. Perto da primeira está o Hospital São Paulo e da segunda, o Beneficência Portuguesa. Nos anos 90, um delegado espalhou faixas pela Vila Mariana e usou um megafone para avisar a população que não se devia estacionar naquelas ruas. O risco continua igual. Em 2009, ocorreram 126 furtos nas duas ruas. Já a Barão do Bananal fica próxima do Hospital São Camilo, além de bares e restaurantes.

Mas a recordista de furtos em 2009 na capital é a Rua Alvinópolis, localizada entre as Estações Penha e Vila Matilde do Metrô. Hoje os furtos representam pouco mais de 50% do total de carros levados por ladrões.

Os roubos - quando o bandido usa ameaça ou arma contra a vítima - representam 45,3% do total de veículos na cidade. "Os carros mais antigos são furtados e os mais novos, roubados", afirmou Eduardo Dal Ri, diretor da HDI Seguros. Segundo ele, dependendo da região da cidade a ação dos ladrões pode representar até 50% do custo do seguro de um veículo.

No caso dos roubos, a rua recordista na cidade é a Estrada do Alvarenga, na região de Santo Amaro. Na parte mais nobre da zona sul, a Avenida Engenheiro Armando de Arruda Pereira lidera o ranking e na região central, a Rua Pedro Pomponazzi.

Ações. Se algumas ruas continuam sendo um paraíso para os ladrões há quase 20 anos, em outras a ação da polícia mostra que é possível combater esse tipo de crime com planejamento e operações. "Fizemos operações na Rua Pedro Pomponazzi e reduzimos os roubos neste ano", afirmou o delegado Luiz Antônio Pinheiro, supervisor do Grupo de Operações Especiais (GOE), da Polícia Civil. De fato, os roubos caíram cerca de 70% na área de responsabilidade do 6.º Distrito Policial no primeiro trimestre deste ano, em comparação com o mesmo período de 2009.

O mesmo ocorreu nos bairros de Tatuapé (-51,8% de furtos), Jardins (-21% de roubos), Lapa (-6% de roubos), Pinheiros (-17% de roubos), Itaim Bibi (-42% de roubos) e Perdizes (-11% de roubos). Neles, as Delegacias Seccionais Centro, Leste e Oeste fizeram operações específicas contra o roubo de carros. "Desde março do ano passado é nossa prioridade o combate aos roubos e aos furtos de veículos", afirmou o delegado-geral, Domingos Paulo Neto.

Hora. O mapa do crime demonstra que os furtos ocorrem mais entre as terças e quintas-feiras e das 18 horas à meia-noite. Já os roubos se distribuem por quase toda a semana, com leve concentração nas quartas e quintas-feiras. A tarde a noite são os horários prediletos dos assaltantes.

"Nós distribuímos nosso efetivo de acordo com a evolução da criminalidade. Hoje, um capitão que comanda uma companhia determina todo dia as ruas em que as viaturas do patrulhamento vão passar e onde elas devem ficar paradas", afirmou o comandante-geral da Polícia Militar, coronel Álvaro Batista Camilo.

PRESTE ATENÇÃO

1. 40% dos roubos

de carro em São Paulo acontecem num raio de 500 metros da casa da vítima

2. Seguradoras dizem que a instalação de rastreadores e a marcação do chassis reduzem os crimes em até 60%

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