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Roubos crescem no Morumbi e PM cerca Paraisópolis

Bruno Paes Manso e Diego Zanchetta - O Estado de S.Paulo

11 Maio 2011 | 00h 00

Polícia bloqueia entradas da favela depois que crimes na região aumentaram 85% no 1º trimestre; ação ainda tenta asfixiar tráfico

Localizadas nas imediações do Morumbi e da Marginal do Pinheiros, na zona sul de São Paulo, as Favelas de Paraisópolis, Jardim Colombo e Real Parque são alvo há três semanas de uma Operação Saturação da Polícia Militar.

Segundo o coronel Marcos Chaves, comandante do Policiamento da Capital, o motivo é o crescimento dos casos de roubos a motoristas nas grandes avenidas. "São muitos casos, sobretudo de motoqueiros que estouram os vidros dos carros para pegar objetos de valor."           

Esse avanço na criminalidade ficou claro em março nas estatísticas do 34.º DP (Morumbi). Os roubos saltaram de 113 em janeiro para 209 naquele mês. O crescimento de 85% levou o Morumbi ao quinto lugar no ranking dos distritos com maior quantidade de roubos na capital. No 89.º DP (Jardim Taboão), que também abrange parte do Morumbi, o aumento de roubos foi de 46% entre janeiro e março (140 casos neste mês). "A situação realmente piorou bastante no primeiro trimestre e hoje a região do Morumbi está entre as mais críticas da capital. Mas a Operação Saturação que começou no fim do mês já ajudou a melhorar um pouco a situação", afirma o presidente do Portal do Morumbi, Celso Neves Cavalini.

Segundo a Polícia Militar, houve um reforço de 60 homens da Polícia Territorial, com mais duas bases móveis, quatro viaturas e seis motos. Ainda participam da operação equipes da Cavalaria, do Comando de Operações Especiais (COE) e das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota), que fazem o patrulhamento principalmente no período noturno. Ao longo da Avenida Giovanni Gronchi, a Tropa de Choque montou bloqueios em todas as entradas e saídas para Paraisópolis. São cinco postos da corporação só na avenida.

A PM não informa até quando manterá o efetivo na favela, mas quem passou pela região nos últimos dias ou mora no Morumbi já pôde observar a movimentação de soldados da Marginal do Pinheiros ao fim da Rua Doutor Francisco Tomaz de Carvalho, conhecida como "ladeirão". É nesse "ladeirão", segundo policiais e moradores, que adolescentes costumavam fazer arrastões. O alvo era principalmente mães sozinhas nos carros, no caminho para buscar os filhos no Colégio Pio XII.

         

Bem no início do "ladeirão" a PM colocou dois caminhões da Cavalaria e uma viatura do Choque. "Piorou um pouco o trânsito, porque eles (PMs) param todo mundo que entra na favela e a fila de carro que vem atrás sempre para. Mas para nós deu um alívio. Eu ia buscar meu filho na escola e tinha de ligar em seguida para meu marido falando que estava tudo bem. Só espero que seja permanente e não só por algumas semanas", diz Maria Alice Rodrigues, de 44 anos, moradora do Morumbi.

A PM também montou um bloqueio na entrada do escadão que corta Paraisópolis e dá acesso para a Giovanni Gronchi, o que atendeu a uma reivindicação de quase dois anos do Conselho de Segurança (Conseg) do Morumbi. A entidade afirma que a escada de 186 degraus, inaugurada em 2009 como um dos marcos do programa de urbanização de Paraisópolis, facilita a fuga a pé para a favela de adolescentes que assaltam carros parados nos congestionamentos.

Choque. No principal acesso, pela Rua Ernest Renan, a PM colocou oito homens armados com fuzis em duas viaturas. Eles param quase todos os veículos e motos que entram em Paraisópolis. Bloqueios começam por volta das 7h, quando a Tropa de Choque e 20 soldados em cavalos fazem ronda de 70 minutos dentro da favela, e se estendem até as 23h. Os soldados fazem pelo menos três incursões diárias pelas vielas e ladeiras. "Conseguimos estrangular o tráfico. Não tem mais nenhuma boca funcionando", garantiu um dos PMs da Tropa de Choque, que pediu para não ter o nome divulgado.

Para a dona de casa Shirley Magnani, de 29 anos, os bloqueios da PM são bons. Ela é nascida e criada em Paraisópolis e usa o escadão que dá acesso para a Giovanni Gronchi todos os dias. "Fico tranquila em passar pela escada à noite com a polícia na entrada. Eu não vejo nenhum problema, pelo contrário."

 

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