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Roger Abdelmassih comprou arma e pensou em se matar

Sérgio Quintella - Rádio Estadão

21 Agosto 2014 | 18h 33

Em conversa com policiais e Rádio Estadão, ex-médico se mostrou incomodado com presença de vítimas no Aeroporto de Congonhas

Evelson de Freitas/Estadão
O ex-médico Abdelmassih chega ao Aeroporto de Congonhas; de lá, seguiu para o Presídio de Tremembé

O ex-médico Roger Abdelmassih, de 70 anos, cogitou cometer suicídio para evitar sua volta à prisão. Em conversa com policiais civis e a reportagem da Rádio Estadão, na tarde de quarta-feira, dia 20, no Aeroporto de Congonhas, zona sul da capital, o capturado disse que comprou uma arma para tirar a própria vida. O áudio foi obtido com exclusividade.

"Eu consegui comprar uma arma usada, uma 38. Eu nunca peguei numa arma. Eu comprei e falei: 'Se eu for pego, eu dou um tiro na cabeça'", revelou Abdelmassih, condenado, em 2010, a 278 anos de prisão por 48 estupros contra 37 vítimas. Um dos maiores especialistas em fertilização in vitro do Brasil, ele foi capturado na terça-feira, dia 19, após ficar três anos e meio foragido em Assunção.

Abdelmassih contou aos policiais e à reportagem que "estava preparado", mas desistiu do plano. "Eu não vou me matar mais. Eu vou acreditar agora na advocacia, porque eu fui condenado estupidamente, loucamente, por situações como estas. Não tem uma prova", disse o ex-médico, enquanto se preparava para assinar o cumprimento de sua prisão preventiva, expedida em 2011. Ele foi levado para a Penitenciária de Tremembé.

Ao insistir para ser levado para Tremembé, o ex-médico falou sobre seu período na cadeia há cinco anos. "Eu passei um período difícil na prisão. Foram quatro meses que sofri muito." Em 17 de agosto de 2009, ele foi preso e foi solto em 23 de novembro daquele ano, após o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), dar uma liminar para seu pedido de habeas corpus.

O ex-médico também insistiu em sua inocência. "Eu não tive nenhuma prova (contra mim). Todas (as denúncias) são mais de seis meses do fato. Eu estou condenado, mas não tem condenado transitado em julgado", afirmou.

Ouça a reportagem completa da Rádio Estadão:

Vítimas. A presença de cinco mulheres que o acusam da série de crimes sexuais incomodou o ex-médico. "Elas têm um blog (que recebia denúncias). Eu acho que vocês deveriam dar um basta nelas. Dar um tchau para elas", disse Abdelmassih para os policiais.

Elas foram até o aeroporto para protestar contra o ex-médico e chamaram o preso de "maníaco". "Uma dessas senhoras meio agitadas que estão aí disse que sumiram 17 óvulos dela. Ela é louca. Isso não existe. Quando usa óvulo de uma para outra, tem de assinar. Tudo é assinado. Não existe isso. Agora, essa senhora que é agitada faz um monte de coisa. Começou a falar um monte de besteira."

A manifestação das vítimas causou indignação em Abdelmassih. "Isso é um absurdo!" Um dos policiais presentes não entendeu a reclamação: "Como é que é?". O ex-médico continuou protestando. "Essas meninas. Podem ficar aí assim? Podem ficar livre assim, desse jeito? Essas cinco", disse. O policial, então, respondeu: "Ah, podem. Aeroporto é lugar público. Não tem como proibir. Só não vem aqui dentro, mas lá fora não tem como impedir".

Ao término da conversa, Abdelmassih assinou seu mandado de prisão, reforçou o pedido de ser levado para Tremembé e perguntou: "Não estou assinando que sou um bandido total?" O policial explicou o procedimento, e o ex-médico expressou sua inconformidade com a pena: "278 é brincadeira. São várias gerações".

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