Rodízio seria 'drástico', 2 dias com água e 5 sem, diz diretor da Sabesp

Rodízio seria 'drástico', 2 dias com água e 5 sem, diz diretor da Sabesp

Massato admite que medida pode ocorrer em SP e aumenta redução de pressão; para Alckmin, outros políticos tiram 'casquinha' da crise

Ana Fernandes e Stefânia Akel, O Estado de S. Paulo

27 Janeiro 2015 | 12h47

Atualizado às 22h20

SUZANO - O diretor metropolitano da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), Paulo Massato, admitiu nesta terça-feira, 27, que pode adotar um rodízio “muito drástico” na região metropolitana e a população pode ficar dois dias com água e cinco dias sem. O objetivo seria evitar o colapso do Sistema Cantareira, que pode acontecer em setembro, segundo simulação feita pelo Estado. Nesta terça, o manancial estava com 5,1%.
“Se não chover, se for necessário, e se a Agência Nacional das Águas (ANA) e o DAEE (Departamento de Águas e Energia Elétrica de São Paulo) chegarem à conclusão de que a Sabesp tem de tirar muito menos do que está retirando, a solução no limite seria um rodízio muito drástico”, disse Paulo Massato, durante o anúncio da ampliação de 500 litros por segundo na vazão do Córrego Guaratuba para o Sistema Alto Tietê, em Suzano, na Grande São Paulo.
“Se tivermos de retirar somente 10, 12 metros cúbicos (mil litros) por segundo, teríamos de adotar um rodízio de dois dias com água e cinco dias sem água, ou equivalente a isso”, completou o diretor. Neste mês, a Sabesp tem retirado 14,7 mil litros por segundo do Cantareira e produzido 18 mil litros por segundo para abastecer cerca de 6,5 milhões de pessoas na Grande São Paulo. 
O problema é que o volume que tem entrado no Cantareira em janeiro é de apenas 7,9 mil litros por segundo, ou seja, quase metade do que a Sabesp tem retirado, sem contar os 2 mil litros por segundo que têm sido liberados para abastecer cerca de 5 milhões de pessoas nas regiões de Campinas e Piracicaba. Neste ritmo, o volume disponível para captação no sistema se esgotará em março e uma terceira cota de 41 bilhões de litros do volume morto, em maio.

Nesta terça, o presidente da Sabesp, Jerson Kelman, disse à TV Globo que os próximos passos ainda estão em estudo. “Nós não definimos nem que vai ter racionamento nem a data eventual disso nem qual o modelo de racionamento. Nós estamos fazendo de tudo para que, se chegarmos a essa situação, o fornecimento de água em locais fundamentais, críticos, como os hospitais e as penitenciárias, não tenha descontinuidade.”
Redução de pressão. Massato disse que a Sabesp está ampliando o período de redução de pressão na rede, como o Estado mostrou em dezembro. “Isso atinge a região metropolitana.” No mesmo evento, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) afirmou que a válvula redutora de pressão existe há 15 anos. “O mundo inteiro tem, para evitar perdas.” Segundo Massato, “nunca foi necessário” informar a população sobre a redução. 
O administrador de empresas Diogo Siqueira, de 36 anos, mora na Praça da República, na região central, e já ficou dois dias sem água, há cerca de um mês. “Tive de tomar banho de água mineral (usando um galão de 20 litros), o que é inadmissível.”
Siqueira é gerente de uma papelaria em Perdizes, na zona oeste. Lá, todos os dias a partir das 13h a água da torneira vira um fio fraco. “Estou trazendo água de casa para beber. Meus funcionários fazem o mesmo.” 
Comerciantes também pretendem intensificar o uso da água mineral para continuar trabalhando. Maria Aparecida Mariano, de 50 anos, dona de uma lanchonete do Largo do Arouche, na região central, já adaptou a máquina de café expresso para continuar servindo a bebida. “Sai muito café aqui, principalmente depois do almoço, justamente na hora que a água fica fraca. Como falta água da rua na cafeteira, comecei a comprar os galões no supermercado”, disse. 
'Tirar casquinha'. Alckmin (PSDB) disse que existem políticos tentando "tirar casquinha" da crise hídrica, que atinge principalmente o Sudeste do País. Questionado sobre o pedido de manifestantes nesta segunda-feira, 26, em frente ao Palácio dos Bandeirantes, na zona sul de São Paulo, para o governador falar da gravidade da falta de água, ele repetiu que o governo paulista tem trabalhado ininterruptamente há mais de um ano para mitigar os efeitos da estiagem.
"Não há ninguém que tenha falado mais sobre esse tema do que eu. Tem muita gente tentando tirar casquinha política, tentando levar uma vantagenzinha", queixou-se, sem mencionar nomes.
Alckmin afirmou ainda que, por meio da política de bônus, São Paulo tem hoje o menor consumo per capita de água e criticou outros prefeitos e governadores que não adotaram políticas semelhantes. "Não tem nenhum governo do Brasil que tenha feito bônus, engraçado, né? Ninguém critica ninguém. Ninguém fez." / COLABOROU RAFAEL ITALIANI

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