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Hélvio Romero/Estadão

Rios Tietê e Pinheiros transbordam na capital

Alagamentos acabaram provocando trânsito recorde para o período da manhã, de acordo com a Companhia de Engenharia de Tráfego

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FABIO LEITE, FELIPE RESK e JULIANA DIÓGENES,
O Estado de S. Paulo

11 Março 2016 | 12h55

SÃO PAULO - As chuvas que atingiram a capital paulista fizeram os Rios Tietê e Pinheiros transbordar na madrugada desta sexta-feira, 11, fato que não acontecia simultaneamente desde setembro de 2009, segundo o Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE), da Prefeitura de São Paulo. Os alagamentos acabaram provocando trânsito recorde na cidade para o período da manhã, de acordo com a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), e prejuízo de até 200 toneladas de frutas na Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp), que ficou alagada.

Os transbordamentos foram registrados em seis diferentes pontos das duas Marginais, entre os quais nas regiões das Pontes Presidente Dutra e do Limão, no caso do Tietê, e Cidade Universitária, Cebolão e Remédios, no caso do Pinheiros. Além deles, outros três córregos registraram extravasamento: Perus (zona norte), Lajeado (zona leste), e Morro do S (zona sul). Segundo o CGE, a chuva que caiu na capital durante 12 horas corresponde a 40% do volume esperado para todo o mês de março. Às 8h30, a CET registrou 177 quilômetros de lentidão, recorde para o período da manhã neste ano – o maior índice havia sido registrado no dia 23 de fevereiro (126 km).

Em entrevista à CBN, o prefeito Fernando Haddad (PT) relacionou os transbordamentos à falta de limpeza dos Rios Pinheiros e Tietê pelo governo Geraldo Alckmin (PSDB). Segundo ele, ambos estão “assoreados”. “Se não houver a limpeza dos Rios Pinheiros e Tietê, os córregos não conseguem ter vazão, por mais limpos que estejam”, disse o petista. Segundo o CGE, os extravasamentos do Tietê chegaram a 60 centímetros. A última vez que o principal rio que corta a cidade transbordara foi no verão de 2011.

Segundo o Departamento de Águas e Energia Elétrica do Estado de São Paulo (DAEE), desde 2011, já foram retirados 10,5 milhões de metros cúbicos de sedimentos do Tietê, o equivalente a 4.200 piscinas olímpicas. “Graças ao trabalho permanente do DAEE de desassoreamento e aos pôlderes construídos nos últimos anos, o Rio Tietê conseguiu escoar, sem maiores transtornos para a população, o grande volume de água da chuva que atingiu a capital”, informou o órgão estadual.

Recursos. Levantamento feito na execução orçamentária de 2015 mostra que o governo Alckmin deixou de investir R$ 73,9 milhões do previsto em manutenção e conservação da calha do Tietê no ano passado. Foram R$ 100,8 milhões aplicados, 42,3% menos do que os R$ 174,7 milhões planejados. Segundo o DAEE, contudo, o valor que deve ser considerado é o do orçamento atualizado, de R$ 100,9 milhões, 99,9% da verba “disponível” para esta ação foi investida.

“Como toda projeção, há sempre a possibilidade de ela não se concretizar, por razões variadas, o que muitas vezes inclui fatores externos ao governo do Estado, como recursos de outras esferas de poder que foram prometidos, mas não vieram, ou a queda na arrecadação relacionada à crise econômica do País, entre outras”, justificou o órgão. Ainda segundo o departamento, o recurso foi usado para fazer desassoreamento de 367 mil metros cúbicos de sedimentos dos lotes 1, 2 e 3 do Rio Tietê. 

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