LUCIANO CLAUDINO/CÓDIGO19
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Rio Tietê volta a acumular toneladas de lixo em Salto

Parte do leito que está à mostra por causa do baixo nível exibe grande quantidade de garrafas, latas, pedaços de madeira e isopor

José Maria Tomazela, O Estado de S. Paulo

22 Julho 2015 | 17h44

Atualizado às 12h15 do dia 23/7

SOROCABA - Toneladas de lixo voltaram a se acumular entre as pedras da cachoeira no Rio Tietê, na região urbana central de Salto, interior de São Paulo. A parte do leito do rio que está à mostra em razão do nível baixo das águas exibe grande quantidade de garrafas PET, latas, pedaços de madeira e isopor, e até capacetes de motociclistas. No local, que havia sido completamente limpo há um ano, equipes do município iniciaram na terça-feira, 21, um novo mutirão de limpeza. 

Funcionários estão retirando a sujeira e colocando em grandes sacos plásticos que são içados paredão acima. O material não reciclável está sendo levado para um aterro sanitário. De acordo com o secretário de Meio Ambiente, José de Conti Neto, o trabalho será mantido enquanto a vazão do rio estiver baixa, de até 60 metros cúbicos por segundo.

Ele manifestou preocupação com o acúmulo de sujeira próximo de Pirapora do Bom Jesus, onde um trecho do rio está tomado por plantas aquáticas. "Tem um tapete de lixo sobre o rio Tietê e, se chover ou a barragem abrir as comportas, toda essa sujeira vem para cá." A prefeitura de Pirapora informou que também recebe a sujeira de outras cidades.

Em julho do ano passado, a prefeitura de Salto organizou uma operação para retirar 18 toneladas de lixo retidas entre as pedras da cachoeira e em outros pontos da área urbana. O material acumulado ficou exposto em razão do baixo nível do rio devido à estiagem histórica. Na ocasião, praticantes de rapel se ofereceram para auxiliar as equipes do município, já que em alguns pontos havia necessidade de descer até o lixo por paredões íngremes de rochas. O trabalho durou duas semanas.

Morte de peixes. Também em Salto nesta quarta-feira, 22, a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) responsabilizou dois órgãos do governo estadual pela mortandade de peixes ocorrida em novembro de 2014, no Rio Tietê. Em 27 de novembro do ano passado, as águas do Rio Tietê transformaram-se numa lama preta na passagem por Salto, causando a morte de 40 toneladas de peixes que se refugiaram num pequeno afluente. De acordo com a Cetesb, a mortandade foi decorrência de descarga de sedimentos da barragem de Pirapora, em Pirapora do Bom Jesus, formando extensa mancha negra nas águas do Tietê.

A Empresa Metropolitana de Águas e Energia (Emae) foi multada em R$ 212,5 mil por ter realizado, no dia 26 de novembro, operação de descarga nas barragens das represas de Pirapora e Rasgão, no Tietê. A mesma penalidade foi aplicada ao Departamento de Água e Energia Elétrica (Daee) por deixar de remover o lodo acumulado nas barragens dessas represas, ocasionando o carreamento de sedimentos para as água do rio, causando poluição e a morte dos peixes.

De acordo com a Cetesb, a operação causou a elevação súbita da turbidez, formando uma mancha negra ao longo do Tietê, com elevada carga de matéria orgânica, que persistiu por várias horas. Ambientalistas constataram que a mancha atingiu cerca mais de 100 quilômetros. 

A Cetesb determinou ainda que os dois órgãos apresentem um plano para a remoção dos resíduos acumulados junto às barragens de Pirapora e Rasgão, no município de Pirapora do Bom Jesus. Caso a limpeza não seja feita, há risco da repetição do fenômeno. O Daee é o órgão gestor dos recursos hídricos do Estado de São Paulo e a Emae opera as usinas hidrelétricas do Rio Tietê. O Daee informou que vai entrar com recurso administrativo contra a autuação. 

A Emae informou que está analisando o processo e somente se posicionará após a conclusão. Em nota, a empresa reiterou que "a operação das barragens sob sua responsabilidade é feita de acordo com as regras operativas vigentes para o controle das vazões que afluem a essas estruturas, contribuindo para evitar enchentes na região metropolitana de São Paulo". Segundo a empresa, na ocasião da autuação, "a operação foi feita em absoluta conformidade com essas regras".    

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