1. Usuário
Assine o Estadão
assine

Rio terá escolta para gari tirar lixo das ruas

Marcelo Gomes - O Estado de S.Paulo

06 Março 2014 | 02h 06

Após 4 profissionais serem detidos, prefeitura vai colocar seguranças na limpeza e promete cancelar demissão de quem voltar ao trabalho hoje

RIO - Quatro garis que aderiram à greve da categoria, iniciada no sábado no Rio, foram detidos ontem, acusados de ameaçar colegas que estavam trabalhando. A partir de hoje, todos os 300 caminhões da Comlurb (empresa de limpeza urbana) serão escoltados por seguranças privados contratados pela prefeitura.

O prefeito do Rio, Eduardo Paes (PMDB), afirmou ontem à noite que os garis que voltarem a trabalhar até hoje terão suas demissões canceladas. Dos cerca de 16 mil garis que prestam serviço ao município, apenas 300 continuam parados, disse o prefeito. Mas boa parte daqueles que voltaram ao trabalho está sendo ameaçada para que não retome a função.

Segundo Paes, a escolta será mantida por tempo indeterminado. "O problema não é a ausência de garis, mas sim a coação. E não há limite para dar segurança aos garis", afirmou. Paes disse que pessoas armadas foram flagradas nos últimos dias coagindo garis a não trabalhar. Segundo ele, ônibus que transportavam funcionários da Comlurb para o sambódromo durante os desfiles de carnaval chegaram a ser interceptados por pessoas armadas.

Os garis detidos foram autuados por atentado contra a liberdade do trabalho, crime previsto pelo artigo 197 do Código Penal e seriam liberados após assinar um termo em que se comprometem a comparecer à Justiça. Em Ipanema, assustados com as ameaças, os garis interromperam o trabalho.

Ontem de manhã, sob escolta da Guarda Municipal, um grupo de garis limpou a pista lateral sentido centro da Avenida Presidente Vargas, no trecho entre a Rua Uruguaiana e a Avenida Rio Branco. Na zona sul, havia muito lixo no Aterro do Flamengo e em Ipanema. O mesmo ocorria na zona norte.

Os grevistas calculam que a adesão à paralisação é de cerca de 70% dos profissionais. Dizem que a proposta da Comlurb (aceita pelo Sindicato, sem assembleia) já fora rejeitada antes pelos trabalhadores.

Protesto. Na tarde de ontem, grevistas realizaram um protesto em frente à sede da Comlurb, na Tijuca. "Exigimos a readmissão dos 300 garis e a continuação das negociações. Podemos retornar ao trabalho, desde que o salário seja aumentado depois", disse Ivair Oliveira de Souza, há 19 anos na Comlurb e um dos líderes do movimento.

Pelo acordo coletivo anunciado na segunda-feira, os garis terão 9% de aumento salarial (o piso passará para R$ 874,79), mais 40% de adicional de insalubridade. Segundo a Comlurb, com isso, o vencimento inicial passará a ser de R$ 1.224,70.

Em nota, a Comlurb informou que a Justiça determinou que um oficial faça diligências nas gerências de operação e garanta a segurança.

  • Tags: