Rio recebe título de patrimônio mundial

Pela 1ª vez, Unesco listou uma cidade como paisagem cultural; decisão foi unânime

FÁBIO GRELLET / RIO, O Estado de S.Paulo

02 Julho 2012 | 03h04

A cidade do Rio foi declarada ontem patrimônio mundial como paisagem cultural. O título foi concedido por unanimidade pelos 21 países do Comitê do Patrimônio Mundial da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). Agora o Brasil tem 19 bens (11 culturais e 8 naturais) entre 911 reconhecidos pelo órgão.

O Rio é a primeira cidade a se tornar patrimônio mundial com o conceito de paisagem cultural. Até então, os locais reconhecidos como paisagem cultural eram áreas rurais ou jardins.

Na candidatura, entregue em 2009, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) usou 13 locais com integração entre a natureza e a cidade: os morros do Pão de Açúcar e do Corcovado, a Floresta da Tijuca, o Aterro do Flamengo, o Jardim Botânico, a Praia e o Forte de Copacabana, a entrada da Baía de Guanabara, o Forte e o Morro do Leme, o Arpoador, o Parque do Flamengo e a enseada de Botafogo.

"(O título de patrimônio) é consequência de um estudo do Iphan em que se avaliou a forma criativa com que o habitante se adaptou à topografia excepcionalmente bela e irregular da cidade", disse a ministra da Cultura, Ana de Hollanda.

"Não escondemos os problemas da cidade e assumimos compromissos como despoluir a Baía de Guanabara e regulamentar ocupações irregulares", afirmou o presidente do Iphan, Luiz Fernando de Almeida.

A presidente Dilma Rousseff parabenizou a cidade por meio de nota e disse que o Rio "mostra ter competência e capacidade de gestão para sediar importantes eventos nacionais e internacionais".

"Esse título vai acentuar ainda mais a consciência de preservação, que já ganhou muita força nos últimos anos", afirma o jornalista e escritor Ruy Castro. "Existem vários balneários no mundo, mas só funcionam no verão. Qual outra cidade à beira-mar oferece serviços e tem movimento o ano inteiro?"

"O encontro entre natureza e cidade que compõe o Rio é único", diz o economista Sérgio Besserman Vianna. "O reconhecimento fortalece a marca do Rio, mas precisamos nos valer disso para corrigir os problemas."

O Rio já havia se candidatado a patrimônio mundial como sítio urbano misto, mas o título não foi concedido e o Iphan foi orientado a candidatar a cidade como paisagem cultural.

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