Rio promete novo bairro para vítimas da chuva

Prefeito diz que prédios serão erguidos em terreno comprado da Light e receberão 13.600 pessoas removidas

Felipe Werneck, O Estado de S.Paulo

21 Abril 2010 | 00h00

Um conjunto habitacional com 170 prédios de cinco pavimentos para abrigar ao menos 13.600 pessoas removidas de favelas. Esse é o plano do prefeito Eduardo Paes (PMDB) para um terreno de 124 mil metros quadrados na zona norte do Rio, ao lado das estações de Triagem do metrô e do trem, comprado por R$ 15 milhões da Light, distribuidora de energia elétrica.

"Será um bairro diferenciado. Não tem nada a ver com Cidade de Deus, Vila Kennedy e Vila Aliança", afirmou Paes, referindo-se a conjuntos residenciais construídos na década de 1960, na zona oeste, para reassentar moradores de favelas. Projetos que fracassaram, segundo urbanistas.

"A lógica era um pouco tirar da zona sul e jogar lá para longe. Estamos trazendo pessoas para uma situação muito diferente daquilo que foi feito no passado", disse o prefeito, que voltou a criticar "urubus de plantão" contrários à medida, mais uma vez sem nomeá-los.

Uma das oito favelas apontadas na lista oficial de remoções é a do Morro dos Prazeres, no centro. "Está mantida a remoção integral dos Prazeres", insistiu Paes. "Isso é um absurdo, é arbitrário. Não vamos aceitar", reagiu Eliza Rosa Brandão, presidente da associação de moradores. "Eles dizem que têm um laudo condenando a comunidade, que não aparece. A Lei Orgânica (que exige laudos para remoções, além da participação de moradores) precisa ser cumprida. O que precisamos é de obras."

Infraestrutura. Segundo Paes, o prazo para construção é de 15 meses, após a demolição estrutural. Estão previstas três escolas, duas creches, uma clínica, três praças e uma Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) no local.

O investimento é de R$ 200 milhões - R$ 150 milhões do governo federal. O modelo vem do programa Minha Casa, Minha Vida. O prefeito afirmou que os moradores não vão pagar pelos imóveis e serão proprietários. Os apartamentos terão dois quartos e 42 m². "O puxadinho vai ser tão ilegal quanto no Leblon", disse Paes.

Desde a enxurrada do início do mês, Paes anunciou o reassentamento de 14 mil famílias - 3.400 no terreno da Light; 2.500 no lugar do antigo presídio da Frei Caneca, no centro; 4 mil em unidades do Programa de Arrendamento Residencial (PAR) e 4 mil em dois terrenos na zona oeste desapropriados ontem.

PARA LEMBRAR

As chuvas no Rio deixaram um saldo de 256 mortos - 45 apenas no Morro do Bumba, em Niterói. O Ministério Público do Estado do Rio recebeu na manhã de ontem um pedido de apuração da responsabilidade criminal na tragédia do Bumba. Também foi solicitada uma investigação sobre a desativação do lixão sobre o qual se ergueu a favela.

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