Rio pede ajuda das Forças Armadas para cuidar de vítimas e fazer buscas

Número de mortos no Morro do Bumba, em Niterói, chega a 29; bombeiros estimam que 150 pessoas ainda estejam soterradas

Pedro Dantas do Rio, O Estado de S.Paulo

10 Abril 2010 | 00h00

As Forças Armadas vão ajudar no socorro às vítimas das chuvas no Rio com homens e dois hospitais de campanha, que serão montados em São Gonçalo, para atender os feridos. Militares do Exército e da Marinha também auxiliarão no resgate dos corpos soterrados em morros. O Estado registra 214 mortes desde segunda-feira, a maioria em Niterói, onde 134 pessoas morreram.

Desde a madrugada de ontem, 12 corpos foram resgatados no Morro do Bumba, em Niterói, elevando para 27 o número de vítimas do deslizamento na noite de quarta-feira. O Corpo de Bombeiros estima que 150 pessoas ainda estejam soterradas pela avalanche de lama, que encobriu as casas da favela construída em cima de um lixão. A probabilidade de encontrar alguém vivo é considerada quase nula pelos profissionais de resgate.

O governador do Rio, Sérgio Cabral Filho (PMDB), pediu o reforço na quinta-feira à noite, por telefone, ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "As informações não são nada animadoras. Trata-se de um número muito grande de óbitos. Teremos muito trabalho para as próximas semanas, por causa do alto volume de lixo e destroços, além do número de corpos. A previsão para o tempo de resgate permanece estimada em no mínimo duas semanas, trabalhando dia e noite."

De R$ 110 milhões liberados pelo governo federal, R$35 milhões serão destinados para as cidades de Niterói e São Gonçalo, municípios mais afetados pelas chuvas. A verba faz parte de um pacote de R$ 200 milhões - R$ 90 milhões vão para a capital.

Niterói vive um momento de colapso. O Hospital Azevedo Lima, o único em que o Setor de Emergência funciona, não tem mais leitos disponíveis. No Hospital Universitário Antônio Pedro, da Universidade Federal Fluminense, as portas do pronto-socorro estão fechadas há três anos. O Instituto Médico-Legal de Niterói também encerrou as operações há dois anos. Os corpos das vítimas são encaminhados para os IMLs de São Gonçalo e do Rio.

As dificuldades das equipes de resgate são grandes, pela extensão de mais de 600 metros de deslizamento e pelo volume de lama e lixo que estão sendo removidos para o Aterro Sanitário de São Gonçalo. Ontem, três dos oito cães da Companhia Independente da PM passaram mal, por causa do forte cheiro de gás metano. Curiosamente, dois cães de moradores foram encontrados vivos nos escombros.

Denúncia. Moradores do Morro do Céu, próximo do Morro do Bumba e também construído sobre um antigo lixão, denunciaram que várias casas estão afundando e uma igreja desabou à tarde. Ninguém ficou ferido.

"Após as chuvas, o chão da minha cozinha começou a afundar. Eu saí de casa, mas não tive nenhum apoio da prefeitura de Niterói e estou abrigado na casa de parentes", reclamou um operador de caixa que se identificou apenas como Leandro.

 

 

Texto atualizado às 09h17.

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