Retrato do padre não tem vigor da obra antropofágica

ANÁLISE: Antonio Gonçalves Filho

O Estado de S.Paulo

07 Junho 2013 | 02h02

Três anos depois de provocar uma revolução na pintura brasileira com Abaporu (1928) e dois anos antes de fixar o marco zero da pintura social modernista brasileira com Operários (1933), Tarsila do Amaral assinou o pequeno retrato de padre Bento (1931). Já estava, então, separada de Oswald de Andrade, o que talvez explique a retomada de uma iconografia de caráter religioso, após deflagrar um movimento renovador como o da Antropofagia.

Sofrendo com a separação do escritor e os efeitos da queda da Bolsa da Nova York, que a fez perder a fazenda da família, Tarsila vendeu alguns quadros e foi para a União Soviética no ano em que pintou padre Bento - sintoma da confusão mental em que se encontrava, dividida entre o comunismo e a tradição religiosa. Ancorado no universo da pintura naif, o convencional retrato do padre Bento em nada lembra a revolução estética da Antropofagia. A pintura não tem esse vigor. Mas ainda assim é Tarsila.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.