Restaurado, vitral volta a iluminar a Colombo

Restaurado, vitral volta a iluminar a Colombo

Peça vinda da França em 1922 foi retirada da centenária confeitaria pela 1ª vez e limpa

Gabriela Moreira, ESPECIAL PARA O ESTADO, O Estadao de S.Paulo

05 Abril 2010 | 00h00

 

 

RIO - Com 8 metros de comprimento por 4,5 metros de largura, a claraboia da Confeitaria Colombo foi reinaugurada na centenária casa situada no centro do Rio, na semana passada. Instalado no andar superior, onde fica o restaurante Cristóvão, o vitral passou cinco meses em uma oficina distante 35 quilômetros da confeitaria, no município de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, onde foi restaurado por completo.

Importada da França em 1922, a peça nunca tinha sido retirada do local - nem sequer para limpeza. Para restaurá-la, especialistas tiveram de desmontá-la em 135 pequenos módulos. Após a delicada operação, suas partes foram mergulhadas em um grande tanque, com água, detergente neutro e sabão.

 

"Não usamos química mais corrosiva. A limpeza foi feita com sabão neutro para não danificar as cores", explica o vitralista Riedel Leite de Freitas. "Depois de limpo, iniciamos a pintura. Foi um trabalho de muita paciência", conta.

 

O trabalho foi comemorado por Lúcia Lydia Brandão Shabat, de 83 anos, cujas lembranças da juventude misturam-se às da confeitaria. "Eu vinha muito aqui na mocidade. Quando não era com mamãe, era com as amizades", conta a senhora franzina, apoiada em um dos diversos balcões que expõem doces e tortas feitas na casa.

Iluminação. Os balcões, assim como as mesas de quatro lugares, são iluminados pela luz do dia que o vitral permite entrar na casa. "Estou tirando fotos de todo o centro e não poderia deixar de fotografar a Colombo. Esse local faz parte da história da cidade. O vitral está lindíssimo", comemorava a estudante de Publicidade e Propaganda Juliana Boia, de 21 anos, na quinta-feira, enquanto tentava encontrar o melhor ângulo e enquadramento para os cliques.

 

Trazido da França pelo antigo dono, que atendia pelo apelido de Seu França, o vitral foi inaugurado junto com a primeira grande reforma da confeitaria. "O segundo andar era usado como depósito e hospedagem para os funcionários. Após a reforma, passou a funcionar como local para os clientes tomarem chá e café", lembra o chef da casa, Renato Freire, há dez anos no comando do restaurante.

 

Antonio Ribeiro França - nome completo de Seu França - é lembrado como um visionário. Antigo funcionário da casa, foi ele quem impulsionou os negócios da confeitaria. A claraboia, sem dúvida, está entre os feitos desse português.

 

"Ele costumava eleger uma cor de toalha para cada dia da semana. Assim como o vitral, as pessoas visitavam a casa curiosas com a novidade", diz o chef.

 

Turistas. Tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), a Colombo hoje não desperta só a curiosidade entre os frequentadores. A casa, que chama a atenção na Rua Gonçalves Dias, uma via de paralelepípedos bem no meio do burburinho do centro da cidade, atrai excursões de turistas de todo o Brasil e do mundo. "Esse local é um patrimônio da história do Brasil. É emocionante estar aqui", diz a jornalista Rosana Major, de 45 anos.

Ela e o marido, o professor de educação física Carlos Alberto Pinto, de 51 anos, visitavam a casa pela segunda vez. Câmeras nas mãos, os dois não desgrudavam os olhos da claraboia. "É impossível não se encantar com este local", afirma Carlos Alberto. Moradores de Santos, no litoral paulista, o casal fez uma escala no Rio durante um cruzeiro com destino a Angra dos Reis, no litoral sul fluminense.

Também numa escala, só que para a Europa, o argentino Raul Giannattasio, de 64 anos, disse que o vitral da confeitaria é de fazer inveja aos melhores cafés de Buenos Aires, cidade famosa, entre tantas coisas, por seus cafés centenários. "Magnífico, esplêndido, é o que posso dizer. Temos cafés lindíssimos, mas este é "muy hermoso"."

CRONOLOGIA

1894

Inauguração

da Colombo

Abertura da Confeitaria Colombo, no centro do Rio. A casa funciona como uma mercearia de produtos importados e outras necessidades

1912

A primeira reforma

A confeitaria passa pela primeira reforma. A arquitetura ganha um toque de art nouveau e grandes espelhos são trazidos da Bélgica

1922

Segundo andar

A casa amplia suas atividades no segundo andar do imóvel e passa a servir chás e café. Surge mais uma novidade: a claraboia é instalada no alto do segundo piso, onde hoje funciona restaurante

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