Repressão da PM faz movimento crescer e mudar foco de protesto

Liberdade de expressão e crítica à polícia viram bandeiras; na internet, 106 mil já confirmaram presença no ato de 2ª

O Estado de S.Paulo

15 Junho 2013 | 02h02

Depois da violência policial no último protesto, o movimento cresceu em tamanho e número de causas. No próximo ato, na segunda-feira, além de criticarem o aumento de R$ 3 para R$ 3,20 nas passagens, os jovens também se posicionarão pelo direito de manifestação e contra a repressão da polícia. Até a noite de ontem, 106 mil internautas já haviam confirmado participação no protesto.

Entidades sem ligação direta com a redução das tarifas, incluindo do Greenpeace à Comissão de Justiça e Paz da Arquidiocese de São Paulo, repudiaram a violência. A manifestação que acabou na batalha de anteontem havia tido 12 mil confirmações no Facebook.

A Rede Nossa São Paulo espera que o protesto sirva para melhorar o transporte público. "Estamos discutindo esse problema há anos, mas só o que vemos é a Prefeitura e o governo estadual gastando milhões em pontes e túneis voltadas para carros. Enquanto isso, os ônibus e o metrô seguem do jeito que estão", diz coordenador de Democracia Participativa da Rede, Maurício Piragino.

Marcelo Furtado, diretor executivo do Greenpeace, também vê uma oportunidade real de conseguir mudanças nos transportes. "A mobilização é muito maior que os R$ 3,20. A tarifa foi apenas o estopim de uma demanda há tempos reprimida, que é a necessidade de um transporte coletivo melhor."

A Comissão de Justiça e Paz da Arquidiocese de São Paulo divulgou carta aberta ao governador Geraldo Alckmin (PSDB) e ao prefeito Fernando Haddad (PT) na qual classifica a violência como "inadmissível" e critica a Rota, que "transformou o que já era aterrorizante em praças de guerra". A ONG de Direitos Humanos Conectas disse que "denunciará o caso aos relatores da ONU para Liberdade de Expressão e Prisões Arbitrárias". Sites em inglês também foram criados para divulgar a violência policial.

Reações. "As pessoas estão se solidarizando com quem está sendo vítima do que tem acontecido", ponderou um dos líderes do Movimento Passe Livre, Caio Martins. Mas ele afirma que é preciso manter a luta para reduzir a tarifa. "Mudar a pauta só interessa à Prefeitura."

O comandante-geral da PM, coronel Benedito Roberto Meira, admitiu ontem que não sabe "que dimensão e qual magnitude vai ter a próxima manifestação". Mas afirmou que manterá a Tropa de Choque como uma "reserva estratégica" para atuar no protesto. / BRUNO RIBEIRO, RODRIGO BURGARELLI, OCIMARA BALMANT, GIOVANA GIRARDI E A.R.

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