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Repressão a protesto em SP é criticada e governador sai em defesa da polícia

Rafael Italiani, Fabiana Cambricoli e Thaise Constâncio - O Estado de S. Paulo

13 Junho 2014 | 22h 37

Secretário da Segurança e comandante dizem que operação foi ‘aplaudida pela população'. Alckmin afirmou que se evitou ‘situações mais graves’, enquanto ministra Ideli viu ‘ação desnecessária’

Exatamente um ano após o mais reprimido dos protestos de rua, a ação da polícia nesses atos em São Paulo volta a ser contestada. A manifestação contra a Copa na quinta-feira, 12, teve 15 feridos (5 jornalistas). Quatro eram da mídia internacional, que deu destaque ao assunto, enquanto ONGs como a Anistia Internacional criticavam a operação. O governador Geraldo Alckmin saiu em defesa da polícia e a ministra da Secretaria de Direitos Humanos (SDH), Ideli Salvatti, viu uma ação “desnecessária”.

Conforme balanço final, divulgado nesta sexta-feira, 13, 46 pessoas foram detidas, mas apenas 4 continuavam presas por portarem material explosivo durante protesto. “Damos cartão amarelo para a Polícia Militar de São Paulo”, afirmou o diretor da Anistia no Brasil, Átila Roque.

Em defesa da intervenção policial, o secretário da Segurança Pública, Fernando Grella Vieira, negou que a PM vetasse a manifestação e disse que é uma “tradição” da PM paulista proteger protestos. Ele afirmou que tanto o direito de ir e vir quando o de protestar são respeitados. “Nós temos de equilibrar esses direitos. O direito de manifestação é sagrado, mas nós temos de conviver com outros.” 

Robson Fernandjes/Estadão
Houve tumulto nas estações do Metrô

Para Grella, sem a ação da PM a própria população se rebelaria contra grupos violentos. Já o comandante da Polícia Militar, coronel Benedito Roberto Meira, “quem quer mudar o País” pode fazer isso nas eleições. Ele e Grella ressaltaram que a população “aplaudiu” a operação.

Mais cedo, em evento na capital paulista, Alckmin afirmou que a ação da PM foi necessária para evitar um problema maior. “A polícia evitou situações mais graves porque estávamos na abertura da Copa do Mundo, 60 mil pessoas indo para o estádio, muita gente na rua. Imagine se a Radial Leste é fechada, as pessoas não conseguem ter acesso ao estádio e o caos que poderíamos ter tido, com graves consequências até para a integridade física das pessoas”, disse. 

O governador de São Paulo afirmou que a intervenção da PM foi necessária também para controlar a invasão da Estação Tatuapé do Metrô, uma vez que a maioria dos torcedores utilizou esse tipo de transporte para chegar à Arena Corinthians na quinta-feira. O governador ainda minimizou os casos de jornalistas e manifestantes feridos. “O direito dos jornalistas está totalmente preservado. Graças a Deus não houve incidente mais grave, todos já estão em casa. De outro lado, você tem ações muito violentas. Imagine você invadir uma estação de metrô. São situações graves que, se a polícia não agir de maneira firme, isso pode ter consequências maiores.”

Fora do protocolo. Também nesta sexta em evento no Rio, a ministra Ideli criticou a repressão policial aos protestos, citando o episódio do manifestante detido por policiais em São Paulo que recebeu spray de pimenta nos olhos. De acordo com ela, há um protocolo de atuação que deve ser seguido pelas forças policiais e de repressão federais, estaduais e municipais e os governos estão preparados para acompanhar “excessos que aconteçam de ambos os lados”. “Vamos (a SDH) adotar os procedimentos necessários para que esse tipo de evento não se reproduza.”

Já Alckmin voltou a ressaltar que todas as ações da PM são filmadas e a Corregedoria vai investigar possíveis abusos. “Excessos serão punidos. Para isso existe a Corregedoria”, disse.

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