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Represa que dará água ao Cantareira tem nível crítico; Cabral ataca proposta

O Estado de S. Paulo

21 Março 2014 | 03h 00

Reservatório no Rio Jaguari, na bacia do Paraíba do Sul, está com 38% da capacidade; Cabral disse que não aceita ‘nada’ que prejudique o Rio; Alckmin afirmou que projeto será feito em manancial estadual e beneficiará até população fluminense

SÃO PAULO - Principal aposta de Geraldo Alckmin (PSDB) para salvar o Sistema Cantareira, a Represa Jaguari, em Igaratá, também apresenta níveis críticos. O reservatório no Vale do Paraíba está em 38% de sua capacidade, o índice mais baixo em 70 anos. Diante da proposta de transposição de águas, o governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), endureceu as críticas nesta quinta-feira, 20 – o Rio Jaguari é afluente do Paraíba do Sul, que abastece o Estado. Alckmin afirmou que a medida não vai afetar o Rio.

A construção de dutos de 15 km entre as Represas Jaguari e Atibainha, onde o nível está em 51,7%, deve ser concluída em dois anos. O presidente do Comitê de Bacias Hidrográficas do Paraíba do Sul e prefeito de Guaratinguetá, Francisco Carlos (PSDB), disse que apenas 2,5% do volume de água será levado ao Cantareira – 200 m³ de água por segundo. "O bombeamento ocorrerá apenas quando o Sistema Cantareira registrar volume abaixo de 35%", afirmou.

Além da Jaguari, a Represa Paraibuna também registra volume baixo (41%). A Represa de Santa Branca está em 59%. Os três reservatórios são responsáveis pelo abastecimento de 3 milhões de pessoas em 40 cidades do Vale do Paraíba e de 15 milhões no Rio, segundo o comitê.

"Jamais permitirei que se retire água que abastece o povo do Estado do Rio de Janeiro. O governador Alckmin, com quem tenho excelente relação, me ligou para expor essa ideia", afirmou Cabral, no Twitter. "Meus técnicos adiantaram que é uma possibilidade remota, eu diria inviável, porque ela implica atrapalhar o abastecimento da população do Rio. Isso não será tolerado", disse à TV Globo.

Rio estadual. Em Campinas para apresentar o projeto, Alckmin afirmou que a medida é uma decisão técnica correta. "Nós vamos dar todas as garantias. As vazões mínimas estão garantidas. Agora é preciso ter um aproveitamento melhor das águas", afirmou o governador. "Todos ganham com mais reserva, o Rio, Minas e São Paulo."

Alckmin explicou que o projeto, avaliado em R$ 500 milhões, prevê um duto de mão dupla, que pode retirar água do reservatório de Igaratá para mandar para o Cantareira e vice-versa. Alckmin fez questão de enfatizar que o reservatório está em um rio estadual.

Em entrevista à CBN, o presidente da Agência Nacional de Águas (ANA), Vicente Andreu, disse que a proposta só provocaria impacto no Rio "sob condições extremas". "Em condições normais, o impacto é insignificante." Como o rio é estadual, Alckmin não precisa de autorização para a obra. "A decisão é de São Paulo, mas nós teríamos de impor regras de forma a reduzir ou a eliminar os impactos para o Rio." / REGINALDO PUPO, ESPECIAL PARA O ESTADO, ROBERTA PENNAFORT, FÁBIO GRELLET, RICARDO BRANDT e FABIO LEITE