Religioso deixou marcas ainda presentes na capital

Do Pátio do Colégio a São Miguel Paulista, Anchieta pode ser 'revisitado'

Edison Veiga, O Estado de S.Paulo

02 Abril 2014 | 02h06

Em uma cidade que passou a maior parte dos 460 anos deixando a própria história em segundo plano, é impressionante notar como muitas marcas de José de Anchieta ainda estão preservadas. E não só no Pátio do Colégio, cuja igreja atual é apenas a quarta versão daquela simples capela erguida pelos jesuítas, mas em locais bem distantes naquele século 16, em que as caminhadas eram mata adentro, como São Miguel Paulista.

Era um percurso de 20 quilômetros, parte por terra, parte pelo Rio Tietê, feito por Anchieta e outros jesuítas da Vila de São Paulo de Piratininga até o povoado de Ururaí, rebatizado por eles de São Miguel. Ali ergueram uma capela de bambu e sapé, que, em 1622, daria lugar à igreja que existe até hoje.

Na toponímia paulistana, o religioso também é lembrado. A ruazinha que já foi Rua do Beco e Rua do Palácio, no centro, chama-se Anchieta desde 1897, quando foram completados 300 anos da morte do padre. Em Santo Amaro também há a Rua Padre José de Anchieta. E, é claro, a Via Anchieta liga São Paulo ao litoral desde 1947.

Fundação. Anchieta não tinha nem 20 anos quando, na companhia de outros jesuítas, subiu a Serra do Mar e veio dar no Planalto de Piratininga. Participou da primeira missa, onde hoje fica o Pátio do Colégio, ajudou a construir a capela original - uma cabana muito rudimentar, que media 4,48m por 8,20m. A segunda versão da capela, de taipa, datada de 1557, também contou com a participação do religioso. "Mandamos fazer outra algum tanto maior, cujos arquitetos seremos nós, com o suor dos nossos rostos e o auxílio dos índios", escreveu, à época, o sacerdote.

Esta igrejinha ainda daria lugar a mais duas versões. E é dentro da atual que estão, para quem quiser conferir, duas relíquias atribuídas ao novo santo: um pedaço de fêmur que teria sido seu e um velho manto que ele teria usado.

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