Regulamentar os pancadões está na pauta da Câmara

A Câmara Municipal e as autoridades policiais preparam uma ofensiva para impor regras aos pancadões em São Paulo. Os pancadões são os bailes que acontecem nas ruas da cidade, sem regulamentação, gerando reclamações de barulho na vizinhança. Em muitos casos, são estimulados e bancados por traficantes.

O Estado de S.Paulo

24 Março 2013 | 02h05

"Não sou contra nenhum tipo de manifestação cultural. Mas o direito de um termina quando começa o direito do outro. E os pancadões incomodam muita gente", diz o coronel Álvaro Batista Camilo (PSD), que assumiu este ano a cadeira de vereador.

Nos próximos 15 dias, ele pretende decidir se apresenta um projeto que já existe na Casa ou se cria um próprio.

A ideia é criar meios para punir os promotores dos pancadões. Eles são criados, basicamente, por donos de carros com equipamentos de som superpotentes. As portas são abertas no meio da rua, a música toca alto e chegam os vendedores de bebidas. Assim como ocorre nos shows de rock, raves ou festas com muitas pessoas, a oferta de drogas também é farta.

A inspiração para regularizar os pancadões na capital vem de Diadema, no ABC, que multiplicou as multas para os donos de carros com som superpotente. "Hoje não há como punir quem promove bailes funks", explica Camilo. Além do aumento do valor da multa, o ex-comandante-geral da Polícia Militar defende que sejam comprados decibelímetros (aparelhos que medem o volume de som) para a aplicação de multas.

Quando era comandante-geral, Camilo mapeou os pancadões na cidade. Eram 348 bailes - 119 na zona leste, 108 na zona sul, 71 na zona norte, 42 na zona oeste e 8 no centro -, que mudavam conforme o dia e a pressão policial, já que são feitos por carros.

Na semana passada, mesmo ainda sem meios para punir, a Polícia Militar iniciou operações para coibir esses pancadões antes de começarem. Foram visitados 114 pontos na Grande São Paulo. A ideia foi evitar o começo da aglomeração. "É a melhor forma de evitar confusões e violência por causa da abordagem policial", diz Camilo.

O vereador nega que o projeto de lei esteja focado nos bairros da periferia. Ele cita o exemplo do carnaval de rua em bairros como Vila Madalena, na zona oeste. Este ano, por falhas na organização da Prefeitura, o desfile de blocos aconteceu em meio aos carros que eram bloqueados por multidões de foliões. "São Paulo pode ganhar com esses eventos de rua. Mas é preciso haver organização para não cair na desordem. Como ocorre na Virada Cultural, no centro", diz. / B.P.M.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.