Recursos são anunciados após o fato consumado

Análise

Fernando Paulino Neto, O Estado de S.Paulo

12 Abril 2010 | 00h00

Enquanto uma parte dos cariocas passou a semana chorando seus mortos e se desesperando por ter perdido tudo no meio da lama e do lixo, os representantes do poder público saíram de seus gabinetes para dar suas justificativas e tomar as decisões de urgência de praxe.

O prefeito do Rio, Eduardo Paes (PMDB), anunciou a remoção total de duas comunidades e a retirada dos moradores até com o uso da força, se necessário. O governador Sérgio Cabral (PMDB) prometeu recursos de R$ 1 bilhão para remoção e construção de novas casas. O prefeito falou da construção de cerca de 4 mil casas para desabrigados.

Como de hábito, os recursos são anunciados depois do fato consumado. São medidas que podem ser importantes para amenizar o sofrimento das pessoas, mas que não seriam necessárias se os recursos hoje existentes fossem utilizados para implementar uma política urbana com base em estudos conhecidos e, muitas vezes, encomendados pelo próprio poder público, como é o caso da cidade de Niterói, onde o prefeito disse desconhecer o problema do Morro do Bumba, apontado pela Universidade Federal Fluminense.

A forte chuva e os deslizamentos surpreenderam os governantes, apesar de terem se repetido com intensidade análoga algumas vezes nas últimas décadas. Ao mesmo tempo que se reacende o debate entre reurbanização e remoção, como se fossem excludentes entre si, um exemplo de política errática salta aos olhos. É o da localidade do Laboriaux, na Rocinha. Há 30 anos foi uma área que serviu para reassentamento. Agora, muito maior, será inteiramente removida por ser considerada insegura.

CHEFE DE REPORTAGEM DA SUCURSAL DO RIO DE "O ESTADO DE S. PAULO"

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