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Rebeliões em cadeias superlotadas deixam 18 mortos no Maranhão

Wilson Lima / SÃO LUÍS ESPECIAL PARA O ESTADO - O Estado de S.Paulo

10 Novembro 2010 | 00h 00

Complexo tem capacidade para 2 mil presos, mas abriga 4 mil; 'Foi carnificina sem motivo', diz secretário, após motim que durou 30 horas

A maior rebelião já ocorrida no superlotado Complexo Penitenciário de Pedrinhas, em São Luís (MA), terminou ontem à tarde, com 18 mortos. Foram 30 horas de tensão e de horror, em um motim "sem motivos", segundo o Estado. Dos mortos, 15 cumpriam pena no Presídio São Luís e 3, na Penitenciária de Pedrinhas.

O secretário de Segurança do Maranhão, Aluísio Mendes, classificou o motim de "barbárie dentro do presídio". Segundo ele, não houve motivos para que os detentos promovessem a rebelião. Tudo era pretexto para execuções. "Foi uma situação estranha. Nenhuma reivindicação ocorreu antes com relação a maus-tratos, deficiência na alimentação, nada. Foi uma rebelião que começou simplesmente para cometer uma série de crimes", ressaltou.

O complexo de Pedrinhas, em São Luís, é a principal penitenciária do Estado do Maranhão e abriga 4 mil presos, quando ali deveriam estar apenas 2 mil, conforme dados fornecidos pelo próprio governo do Estado. Há projetos para mais quatro cadeias, aguardando aprovação federal.

Iniciada na manhã de segunda-feira, a rebelião no Presídio São Luís foi encerrada às 13h15 de ontem, depois que cinco reféns que estavam em posse dos presos foram libertados. A liberação só aconteceu após a intervenção de representantes do Ministério da Justiça e do pastor Marcos Pereira, da Igreja Assembleia de Deus dos Últimos Dias, do Rio, conhecido nacionalmente por libertar traficantes jurados de morte. Um culto evangélico encerrou oficialmente a manifestação.

Início. A rebelião começou depois que o monitor Raimundo de Jesus Coelho, o Dico, entrou no Anexo 3 para autorizar o banho de sol dos detentos. Nesse momento, os presos o dominaram, tomaram a arma e iniciaram o motim. Coelho foi baleado duas vezes e, socorrido por colegas, segue internado em um hospital de São Luís - ele não corre risco de morte.

Na segunda-feira, houve nove mortes. Três vítimas tiveram as cabeças decapitadas. Os demais também tiveram membros decepados. Ontem pela manhã, foram confirmadas mais seis mortes dentro do São Luís. A negociação ocorreu sempre sob clima tenso.

Já cansados, os detentos xingavam os negociadores e diziam querer matar mais companheiros de cela. "Só pensavam em matar. Nós que impedimos", descreveu o pastor Marcos Pereira. Havia informações, não confirmadas, de que os líderes também ouviam notícias no rádio sobre o horror na penitenciária e gostaram do clima de tensão que havia sido criado.

Reação em cadeia. O motim ainda causou uma reação em cadeia no complexo penitenciário. Na matriz, a Penitenciária de Pedrinhas, iniciou-se nova rebelião ontem - colchões foram queimados, celas quebradas e policiais tiveram de intervir com tiros e bombas de efeito moral.

Em Pedrinhas, onde houve três mortes, o motim também não tem motivação clara. Sabe-se que, na segunda-feira, um detento identificado como Gaguinho foi morto e isso teria sido o estopim para uma briga entre os detentos especiais e os de uma ala chamada de "fundão".

Ao contrário da rebelião no Presídio São Luís, a polícia interveio rapidamente na matriz e a Tropa de Choque conseguiu controlar os detentos por volta das 11h30. Em Pedrinhas não foram feitos reféns.

AS ÚLTIMAS REBELIÕES VIOLENTAS

Abr. de 2004

Motim em Porto Velho mata 15

Mai. de 2004

31 morrem em Benfica, no Rio

Jun. de 2005

Cinco são degolados em Pres. Venceslau

Mai. de 2006

Rebeliões em todo o Estado de São Paulo deixam 15 mortos

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