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Quem é o homem que ameaça a abertura da Copa do Mundo

Bruno Ribeiro - O Estado de S. Paulo

10 Junho 2014 | 03h 00

Conheça Altino de Melo Prazeres, o presidente do Sindicato dos Metroviários que conduz a greve dos funcionários em São Paulo

SÃO PAULO - Antes dos 30 anos, o presidente do Sindicato dos Metroviários, Altino de Melo Prazeres, o homem que parou São Paulo nos últimos cinco dias e ameaça atrapalhar a abertura da Copa, já ocupava o principal assento do lado dos empregados em negociações trabalhistas. O maranhense de 47 anos foi presidente do Sindicato de Químicos em Pernambuco, Estado onde cresceu, nos anos 1980. Mudou-se para São Paulo em 1994, e rapidamente ingressou no Metrô, por concurso público.

Condutor de trens da Linha 1-Azul, Prazeres mora perto do pátio Jabaquara do Metrô, na zona sul. É separado. A filha mais velha, de 18 anos, é técnica eletricista. A mais nova tem 4 anos. O discurso sindical tenta agregar os trabalhadores. Ele diz que não é contra a Copa, que torce para Neymar, “porque ele é do Santos”, e que a luta dos metroviários “não é contra o trabalhador de São Paulo”. “Propusemos (para o governo do Estado) catraca livre e abrimos mão do nosso dia de serviço enquanto durasse a greve. O governo não quis”, diz, sempre que pode.

NILTON FUKUDA/ESTADÃO
Altino de Melo Prazeres, presidente do Sindicato dos Metroviários

Nesta segunda, depois de ver sua proposta de manter a greve ser derrotada, disse que era presidente para acatar as decisões da base. “Isso é para quem diz que nosso movimento é político. É de base. Eu sou representante da categoria e faço o que ela decidir. Assim, agora, vou defender o que a categoria decidiu”, afirmou.

Sindicalismo. A formação em Matemática na Universidade de São Paulo (USP) ocorreu paralelamente à condução dos trens. E também à atividade sindical. Até o começo da década passada, o Sindicato dos Metroviários era filiado à Central Única dos Trabalhadores (CUT). Prazeres ocupou a diretoria da entidade e nunca perdeu contato com a Central, que também era a entidade ligada ao sindicato pernambucano que presidia. Mas rompeu com ela durante a reforma da Previdência do governo Lula. Virou, assim, um dos fundadores da CSP-Conlutas, central sindical à qual metade dos 56 diretores sindicais dos metroviários é filiada. Em 2010, se elegeu presidente da entidade, Reelegeu-se no ano passado e ocupará o cargo até 2016.

A militância de esquerda o levou também ao PSTU, partido pelo qual pode tentar uma vaga de deputado federal nas eleições deste ano. “Ele não vai disputar eleição. Não fala nisso. Essa informação nos incomoda, porque não é verdade”, diz a diretora do sindicato Julia Paz. Uma dirigente da Conlutas e outro do PSTU disseram o mesmo. 

Defensor de subsídios ao transporte público, Prazeres concordou em incorporar a redução da tarifa à campanha salarial em 2013. Assim, se aproximou do Movimento Passe Livre (MPL). E acabou sendo um dos 30 detidos no primeiro ato do grupo, em 6 de junho. Não sofreu nenhuma acusação formal. Até hoje, o MPL participa dos piquetes dos metroviários, junto com alas jovens de partidos que os circundam. Prazeres dialoga com todos.

Na sexta-feira, ao anunciar que costurava apoio com a CUT e com o Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST) e até com a Força Sindical para a greve que lidera, Prazeres foi perguntado se não levava os metroviários para um caminho perigoso - dadas as chances de demissão e de prisões durante os piquetes. Respondeu dizendo que tinha, sim, medo. “Os colegas precisam pensar bem na luta. Eu tenho consciência de que algo pode acontecer, eu posso ser preso. Mas quem está na chuva é para se molhar.”