Rafael Arbex
Rafael Arbex

Queixas de zeladoria lideram na Prefeitura

Principais registros na central 156 estão ligados a carro-chefe da gestão Doria; só 50% são atendidos

Luiz Fernando Toledo, O Estado de S.Paulo

08 Maio 2017 | 05h00

SÃO PAULO - Poda de árvore, tapa-buraco e remoção de veículos abandonados em via pública estão entre as principais reclamações feitas por paulistanos ao canal 156, da Prefeitura de São Paulo. Todas elas se referem a problemas de zeladoria urbana – cuidados com a cidade que envolvem áreas verdes, manutenção do asfalto, limpeza, etc. Essa área é um dos carros-chefe da gestão João Doria (PSDB). Dados obtidos por meio da Lei de Acesso à Informação mostram que em novembro de 2016, quando os números começaram a ser compilados pelo poder público, o total acumulado de registros não atendidos chegava a 580,4 mil. Já em março deste ano, este número atingiu 698,3 mil, o que representa uma alta de 17%.

Ao todo, a Prefeitura deixa de atender quase metade dos pedidos feitos. Das 264.690 solicitações foram feitas desde novembro até o fim de março, 117.966 (54%) foram atendidas. 

A Prefeitura atribui a demanda represada à gestão anterior, de Fernando Haddad (PT). A assessoria do ex-prefeito refuta. Diz ainda que vem adotando medidas para melhorar os serviços na cidade (Leia mais no infográfico abaixo). 

O aposentado Paulo Rinaldi, de 75 anos, pede desde o início de janeiro a poda de uma árvore na rua Juca Floriano, na Casa Verde, zona norte da capital. “Ela tem diversos galhos podres com mais ou menos 20 centímetros, tudo comido por cupim. Já fizemos reclamação por escrito para a Prefeitura e para a Defesa Civil. Os galhos estão no meio da rua, balançando. Se cair em cima de uma pessoa, vai morrer ou machucar gravemente”, conta. 

O problema é alvo de proposta de Doria em discussão na Câmara Municipal. Para reduzir o tempo de espera para remoção ou poda, que pode passar de um ano, a Prefeitura propõe que os próprios moradores possam contratar e pagar pelo serviço, que hoje é exclusivo da Prefeitura. Quem é flagrado desrespeitando a norma paga multa de R$ 10 mil, além de responder por crime ambiental. 

A advogada Sônia Amaro, da Proteste – Associação de Consumidores, diz que a entidade já entrou com ação contra a Prefeitura pedindo agilidade nos atendimentos. “Se o cidadão reclama com a Prefeitura, ela joga para a Eletropaulo. E a Eletropaulo joga para a Prefeitura”, afirma.

Outras reclamações. Os pedidos de tapa-buraco estão na vice-liderança das reclamações não atendidas: 64,7 mil. Também são comuns os casos de remoção de veículo abandonado em via pública (42,2 mil), calçadas irregulares (20,3 mil) e recapeamento (18,8 mil). Em ruas percorridas pela reportagem, a principal reclamação dos cidadãos é sobre a falta de manutenção e zeladoria constante na cidade. O entendimento dos moradores é de que as reclamações funcionam, ainda que fora do prazo ideal, mas de que deveria haver mais proatividade da Prefeitura para evitar os problemas antes que aconteçam.

A Avenida Casa Verde, na zona norte, acumula problemas. No cruzamento com a Rua Águas Virtuosas há mato alto em quase metade do quarteirão, ao lado de um ponto de ônibus . “Aqui é um lugar abandonado. Eles só lembram na época das eleições”, reclama a doméstica Miriam Teixeira Leão, de 59 anos. No cruzamento com a Rua Dr. Jorge Brand, o problema são as calçadas irregulares. “Eles até arrumam, mas logo aparece outro buraco. É muito comum as pessoas se machucarem por aqui”, diz a dona de casa Neide de Oliveira, de 75 anos.

Doria culpa Haddad. A Prefeitura atribui o acúmulo de solicitações à demanda represada da gestão Fernando Haddad. Doria diz que, “mesmo com a defasagem”, adotou diversas medidas para melhorar os serviços na cidade, como aumento das equipes para operação tapa-buraco, criação do programa Cidade Linda e Mutirão Mário Covas, de zeladoria e recuperação de calçadas. A assessoria de Haddad diz que o aumento tem a ver “com o estilo de administrar do atual prefeito, que despreza mecanismos públicos de consulta e informação”.

Sem divulgação. A gestão do prefeito João Doria (PSDB) ficou sem divulgar os dados de reclamações dos cidadãos por praticamente cinco meses. Publicados mensalmente no site da ouvidoria do município desde 2007, os relatórios pararam de ser atualizados desde janeiro. O Estado já havia publicado reportagem mostrando o problema em março, mas o governo municipal disse que se tratava de uma “falha técnica” e que as informações seriam divulgadas “em breve”.

No mês seguinte ainda não havia atualização. Foi quando a reportagem questionou o prefeito publicamente sobre o problema, no dia 26 deste mês, durante evento na Prefeitura. Doria mostrou-se surpreso e disse que não havia por que não dar transparência às informações. A assessoria de imprensa da gestão sugeriu que o Estado buscasse os dados pessoalmente na ouvidoria, ao que o prefeito reagiu. “Não quero fazer reunião ao vivo e a cores por aqui, mas tem que funcionar (o canal de divulgação dos dados). Nós podemos sugerir ao repórter como jornalista, mas não podemos pedir ao cidadão vir aqui (na Prefeitura) fisicamente para ter informação. Tem de resolver, disponibilizar na internet o mais rápido possível”, disse. Após a “bronca”, os dados foram publicados em menos de 24 horas.

Houve 4,9 mil atendimentos em março e, destes, a Prefeitura abriu 867 protocolos - ou seja, quando a denúncia é considerada procedente e tem atendimento - menos da metade em relação ao mesmo mês em 2016, com 2.013 protocolos. Já em relação a dezembro de 2016, que teve 404 protocolos, houve alta de 56,5%. O telefone ainda é o principal meio para reclamar, com 2.481 registros, mas já está bem próximo dos pedidos feitos pela internet - 2.455. A ouvidoria também tem sido usada por cidadãos como “substituta” do 156, já que também é possível realizar denúncia diretamente por lá.

Já os relatórios do 156 ainda não estão públicos. Já foi criado um campo no site da plataforma do serviço, “Indicadores e mapas de solicitações SP 156”, mas o espaço não funciona.

Em nota, a Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia informou que vai disponibilizar “assim que possível” os relatórios periódicos, com indicadores sobre o atendimento da Central 156. Ressaltou que o portal foi lançado em dezembro do ano passado e ainda passa por ajustes técnicos. Disse ainda que não há obrigatoriedade legal para divulgar as informações, mas que a iniciativa “tem como objetivo gerar transparência para os dados da administração punicipal, dentro de uma política de governo aberto”. 

 

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Prefeito regional tem plano para monitorar árvores de Pinheiros

Objetivo é criar critérios para priorizar pedidos de poda; Secretaria do Verde planeja monitoramento por satélite na cidade

Giovana Girardi e Luiz Fernando Toledo, O Estado de S.Paulo

08 Maio 2017 | 05h00

SÃO PAULO - A Prefeitura Regional de Pinheiros tem um plano para monitorar, ao longo do próximo ano, todas as 85 mil árvores que se estima existirem na região.

O objetivo, afirma o prefeito regional Paulo Mathias, é agilizar o atendimento dos pedidos de poda e remoção de árvores. Hoje, esses serviços são feitos de acordo com a ordem de chegada dos pedidos recebidos por telefone ou e-mail. Segundo Mathias, a ideia é poder decidir quem atender primeiro com base em critérios de prioridade.

“Vamos criar um sistema de gerenciamento da arborização de Pinheiros. Saber qual é a situação de cada uma, quantas vezes foi podada e qual é o seu estado de saúde. A ideia é evitar o retrabalho. Às vezes para o munícipe que nos liga a árvore está comprometida, mas no sistema vamos poder checar se está mesmo ou não e decidir se é uma questão de fato emergencial”, explicou Mathias ao Estado.

“Se virmos no sistema que uma árvore foi atendida há pouco tempo e estava tudo bem com ela e uma outra solicitação é de uma árvore que foi podada há mais tempo, vamos nessa primeiro”, afirmou Mathias. 

Pela proposta, as árvores serão analisadas visualmente, uma a uma, por engenheiros agrônomos. Os dados serão cruzados com os de ofícios de serviços anteriores já realizados.

Mathias afirma que a expectativa é conseguir levantar todas essas informações entre “um ano e um ano e três meses”. Cerca de 200 árvores terão de ser analisadas diariamente para o cumprimento do prazo.

O mapeamento, segundo Mathias, será feito por cerca de 20 técnicos da prefeitura regional e funcionários de uma consultoria de arborização que está doando o serviço. E terá início no Jardim Paulista, no quadrilátero delimitado pelas Avenidas Paulista, Estados Unidos, Brigadeiro e Rebouças. “São as árvores mais antigas da região”, diz.

Satélite. O secretário do Verde e do Meio Ambiente, Gilberto Natalini, afirma que para superar a dificuldade de realização do monitoramento manual, planeja um sistema mais amplo para monitorar as 652 mil árvores que se estima existirem no viário da cidade (sem contar as que estão em parques). Um edital para um projeto piloto de monitoramento por satélite foi lançado no Fundo Municipal do Meio Ambiente. 

“É um sistema capaz de delimitar uma área de 10m², até menos, e olhar por cima o que está acontecendo ali. Pela cor da copa dá para dizer se a árvore está doente”, disse Natalini. “E vamos monitorar não só árvores, mas áreas de risco e de ocupação de beira de represa”, explicou o secretário.

Natalini, porém, não disse quanto o sistema custaria e afirmou que o local de realização de testes ainda não foi definido .

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