Departamento de Estradas de Rodagem de São Paulo/Divulgação
Departamento de Estradas de Rodagem de São Paulo/Divulgação

Deslizamento de pedra de 250 toneladas interdita Mogi-Bertioga pela 4ª vez no ano

Acidente na altura do quilômetro 89 provocou bloqueio total da rodovia nos dois sentidos; local já estava em obras e não há previsão para liberação das pistas

José Maria Tomazela, Marina Dayrell e Renata Okumura, O Estado de S.Paulo

11 Abril 2018 | 09h02
Atualizado 11 Abril 2018 | 18h40

SÃO PAULO e SOROCABA - Um deslizamento de terra voltou a interditar totalmente a rodovia Mogi-Bertioga (SP-098), acesso alternativo ao litoral norte de São Paulo na manhã desta quarta-feira, 11. A queda de barreira aconteceu por volta das 5 da manhã, no km 89,5 da rodovia, num trecho de serra, próximo da confluência com a rodovia Rio-Santos (SP-55). A estrada já estava com tráfego restrito em razão de outro deslizamento, no dia 28 de março.

O diretor da Defesa Civil de Bertioga, José Carlos de Souza, informou ao Estado que os trabalhos permanecem no local. Segundo ele, uma pedra de 250 toneladas de terra se depositou no meio da rodovia. "Ela estava escondida no morro. Deslizou junto com todo o material proveniente ainda do dia 28 de março quando aconteceu um deslizamento no local. Havia indícios de que tinha um carro com passageiros, mas a hipótese já foi descartada. A interdição nos dois sentidos da Mogi-Bertioga permanece entre os kms 68 e 98", destacou ele.

Segundo o Departamento de Estradas de Rodagem (DER), não houve feridos entre os operários que trabalham na rodovia. Essa é a quarta vez que a rodovia sofre interdição devido a deslizamentos este ano. A queda ocorreu no mesmo local de um dos deslizamentos do mês anterior.

O órgão culpou o excesso de chuva o ocorrido. De acordo com o diretor de serviço técnico do DER, Deni Loretti Filho, o solo da região, na Serra do Mar, é formado por taludes íngremes com pedras fragmentadas, que permanecem nas encostas protegidas por vegetação e terra. Com o excesso de chuva e o peso das rochas, o solo cede e desliza. Conforme a Defesa Civil, entre janeiro e março foram registrados 600 mm de chuvas na região, o dobro do esperado. Segundo Loretti Filho, além do excesso de chuvas, o solo é encharcado pelas nascentes e cursos de água que se formam na região coberta pela mata atlântica.

O DER informa que em função da quantidade de terra, vegetação e pedras, a rodovia foi completamente interditada para o tráfego. Desde a madrugada desta quarta-feira, máquinas seguem trabalhando para a remoção e limpeza da pista. Viaturas das Unidades Básicas de Atendimento, Defesa Civil de Bertioga e da Polícia Militar Rodoviária permanecem no local.

Só no mês de março foram duas interdições na rodovia. No dia 28 de março, a Mogi-Bertioga ficou parcialmente bloqueada no sentido norte, também no quilômetro 89, devido a um deslizamento. 

Equipes contratadas pelo DER já realizavam contenções no trecho, em razão deste deslizamento. Ainda conforme o órgão, apesar do tempo seco, o solo na região, coberto por mata, estava encharcado.

+ Fechada há nove dias, Mogi-Bertioga não tem data para ser reaberta

Uma semana antes, no dia 21, a rodovia sofreu interdição por quase dois dias após o deslizamento de rochas e terra no quilômetro 87. Já em fevereiro, houve bloqueio nos quilômetros 82, no trecho de Biritiba Mirim, 87 e 8, em Bertioga, por nove dias.

O DER recomenda que os motoristas utilizem rotas alternativas da Rodovia Oswaldo Cruz. O local do acidente está sinalizado e viaturas da Polícia Rodoviária Estadual também orientam os motoristas sobre os desvios. Em razão das obras, o trânsito já estava sendo direcionado para o Sistema Anchieta-Imigrantes e a Rodovia dos Tamoios. 

O Corpo de Bombeiros enviou quatro viaturas para atender a ocorrência. A corporação também descartou a possibilidade de pessoas soterradas no local.

Histórico

A estrada, que liga Mogi das Cruzes, na Região Metropolitana de São Paulo, e Bertioga, no litoral norte, tem 50 km de extensão e pista simples, com uma faixa descendente e duas ascendentes. O governo tem estudo para conceder a rodovia à iniciativa privada, com cobrança de pedágio. No trecho de serra, as curvas são íngremes e perigosas, com acidentes frequentes. Num dos mais graves, em 8 de junho de 2016, um ônibus que levava estudantes para Bertioga capotou numa curva, no km 84, causando a morte de 18 pessoas.

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