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Que tal uma máquina de fazer pão? Nós testamos

Valéria França - O Estado de S.Paulo

17 Julho 2010 | 00h 00

O padeiro Rogério Shimiro diz que funcionam bem, apesar dos manuais complicados

Quebra-cabeça. O padeiro Shimiro (no centro) demorou para entender o manual e perdeu seis fornadas

 

 

As panificadoras automáticas ou, se preferir, máquinas elétricas caseiras de fazer pão estão cada vez mais comuns nas prateleiras das grandes redes de eletrodomésticos. As três marcas mais encontradas no mercado - Arno, Mondial e Britânia - foram testadas, a pedido do Estado, pelo padeiro do restaurante D.O.M., Rogério Shimiro, que também é professor da Universidade Anhembi Morumbi.

Apesar de semelhantes, as máquinas tiveram desempenhos diferentes. Para Shimiro, "a La Baguette, da Arno, faz o melhor produto". No entanto, todas fizeram o padeiro e sua equipe quebrarem a cabeça para operá-las. Foram três tentativas para cada máquina até que as instruções dos manuais fossem compreendidas. E as duas primeiras fornadas de cada eletrodoméstico acabaram no lixo.

"O primeiro erro foi cometido porque a quantidade de farinha indicada no manual estava em mililitros e não gramas", afirma. "Os manuais da Mondial e da Britânia pediam cerca de 960 ml de farinha. Não percebi e coloquei quase um quilo", diz Shimiro. Se tivesse convertido a medida do manual, ele teria usado apenas metade da quantidade de farinha que colocou na máquina. "A medida deveria estar em gramas para não induzir ao erro", comenta.

O manual da Arno tem letras grandes e é mais detalhado. "Nele, há uma lista dos problemas que podem aparecer e dicas de como resolvê-los." Para o padeiro, no entanto, a máquina perde na estética do produto final. "O pão não fica uniforme. E, por isso, o da Mondial e da Britânia ganham em beleza."

Cuidados. Em segundo lugar na avaliação ficou a Britânia e, em terceiro, a Mondial. "A última não bate tão bem os ingredientes e sobra farinha na forma." A integração do glúten - um dos componentes da farinha - com a água e a ação mecânica do bater dão a estrutura do pão. "Se o processo não é bem feito, o pão fica a desejar." Shimiro ainda orienta o consumidor a tomar cuidado com a cesta interna da máquina. "Ela aquece muito. Para tirá-la, é necessário uma luva térmica."  

 

AS DIFERENÇAS

 

Arno LaBaguette: Tem forma antiaderente de 1,5 kg e 14 programas diferentes. O programa mais rápido é de 1h20 e o mais longo, de 3 horas. O manual pede 6 gramas de fermento seco na massa. Shimiro diz que é muito. Aconselha a metade disso. "Se você coloca muito fermento, em qualquer massa, o pão fica com gosto e cheiro de fermento, ou seja perde sabor e aroma."

Panificadora Premium Mondial: Design moderno, forma antiaderente e 12 programas de preparo. É o manual escrito com as menores letras. Os medidores que equivalem a colher de chá e de sopa vieram invertidos. Também falta unidade de medida na quantidade de fermento que a receita determina no manual. Ele indica apenas que são duas colheres.

Multipane Britânia: Com 12 programas, faz quatro tamanhos de pães, com até 1,2 kg e três ajustes de cor. Segundo o padeiro, a máquina faz um bom pão, mas ele cresce menos que o da Arno, por isso teve nota mais baixa. O modo mais rápido leva 50 minutos. Segundo Shimiro, é pouco tempo. Como as outras máquinas, a massa fica melhor na programação longa.  

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