Rafael Arbex/Estadão
Rafael Arbex/Estadão

Quadrilha ataca Fórum de Diadema e rouba quase 400 armas de depósito

Vigilantes foram rendidos por bando, que levou revólveres, pistolas, submetralhadoras e um fuzil do local; polícia instaurou inquérito e procura os criminosos

Marco Antônio Carvalho, O Estado de S.Paulo

18 Junho 2017 | 14h56
Atualizado 18 Junho 2017 | 21h21

SÃO PAULO -  Uma quadrilha invadiu na noite deste sábado, 17, o Fórum de Diadema, na região metropolitana de São Paulo, e roubou ao menos 391 armas, entre revólveres, pistolas, submetralhadoras e um fuzil, além de coletes balísticos, munição e equipamentos de comunicação. O bando dominou os vigilantes, arrombou o depósito e fugiu com o arsenal. A polícia ainda tenta identificar os envolvidos. O armamento levado equivale a quase dois anos e meio de apreensões realizadas pela polícia na cidade. 

De acordo com o boletim de ocorrência, o assalto começou às 19h15 do sábado, quando três vigilantes responsáveis pela segurança do Fórum, na Avenida 7 de Setembro, no centro de Diadema, foram abordados e tiveram oito armas roubadas. Os funcionários foram imobilizados com lacres plásticos nas mãos e nos pés e tiveram as cabeças cobertas por toucas. À Polícia Civil, eles disseram que não teriam condições de reconhecer os autores do crime nem sabiam informar a quantidade exata de ladrões, pois foram mantidos em cárcere durante o roubo. 

Para chegar ao depósito, os criminosos arrombaram acessos ao cartório, quebrando três cadeados em diferentes portas. Lá, roubaram 87 pistolas (calibres .40, 9 mm e 380), 294 revólveres (calibres 32 e 38), 3 submetralhadoras e 1 fuzil, segundo dados da diretora do cartório, que apresentou a lista à polícia. Três garruchas, uma espingarda, uma carabina e um pistolete completam a lista.

As armas ficam guardadas no Fórum pelo tempo que a Justiça entende necessário para prova de processos criminais. Após a sentença ou decisão tomada enquanto o processo está tramitando, elas podem ser enviadas para destruição pelo Exército.

A Polícia Militar só foi acionada às 22h12 por meio do Centro de Operações da PM (Copom) para ir ao local. Uma funcionária da administração informou à polícia que as câmeras do prédio não estão funcionando e não gravaram a ocorrência, mas que o circuito de uma agência do Banco do Brasil dentro das dependências ainda pode auxiliar a investigação. 

O 1.º Distrito Policial de Diadema instaurou inquérito para apurar o caso. Neste domingo, uma viatura com investigadores da delegacia voltou ao local do crime, onde também havia uma guarnição da Polícia Militar. Os seguranças privados e os policiais não quiseram comentar as circunstâncias do crime. No início do mês, bandidos já haviam invadido o Fórum do Guarujá, no litoral, e roubaram armas e munições (mais informações nesta página). 

Apreensões. O roubo deste sábado equivale a quase dois anos e meio de apreensões realizadas na cidade de Diadema pelas forças policiais. Estatísticas da Secretaria Estadual da Segurança Pública mostram que, de janeiro de 2015 a abril de 2017, foram tiradas de circulação 461 armas de fogo no município: 220 em 2015, 190 em 2016 e 51 neste ano. Na capital, as apreensões são mais recorrentes: foram 4.420 em todo o ano passado e 1.243 até abril deste ano.

Procurado, o Tribunal de Justiça não respondeu a questões sobre a segurança do Fórum.

CNJ e TJ tentam reduzir estoque

 Desde 2011, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) determina que, após a elaboração do laudo pericial e da intimação das partes sobre o resultado, as armas apreendidas sejam enviadas ao Comando do Exército para destruição ou doação às forças de segurança. A resolução previa que as armas já depositadas em juízo deveriam, no prazo de 180 dias, ser encaminhadas também para destruição, salvo mediante despacho fundamentado. Provimento do Conselho Superior da Magistratura de São Paulo, de junho de 2016, determinou que as armas não sejam recebidas, devendo o depósito ocorrer em unidade policial.

No Guarujá, ataque levou à análise de série de furtos

Policiais da Delegacia de Investigações Gerais (DIG) mantêm diligências na Baixada Santista desde o dia 6, em busca de armas roubadas do Fórum do Guarujá, no litoral sul paulista. A invasão do local por uma quadrilha, porém, levou à descoberta de um crime ainda maior.

Há 13 dias, foram levados 172 itens, após o grupo dominar os vigilantes durante a troca de turno. Mas a situação levou o Fórum a fazer um levantamento de todo o material que deveria estar em custódia – e descobriu-se que 372 armas de diversos modelos e calibres, vinculadas a processos criminais, não estavam no local. 

No dia seguinte à invasão, juízes assessores da Corregedoria-Geral da Justiça e o juiz do Departamento de Inquéritos Policiais de São Paulo (Dipo) estiveram no Fórum do Guarujá para inspeção na Seção de Armas e Objetos da 3.ª Vara Criminal. Eles analisaram a estrutura física da seção e o funcionamento do local, além de ouvir quatro pessoas. A polícia acredita que os furtos vinham ocorrendo há algum tempo, sem alarde.

Especificamente em relação ao ataque deste mês, câmeras registraram a chegada de uma Kombi com a frase “Poder Judiciário” entrando no Fórum, escoltada por outro veículo, que pode ter sido usado para transportar as armas, segundo a polícia. As imagens mostram ainda outros integrantes da quadrilha em uma moto e em um carro. /COLABOROU LUIZ ALEXANDRE SOUZA VENTURA, ESPECIAL PARA O ESTADO

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.