PUC pede que alunos formalizem denúncias de agressões

Alunos alegam que relatos não são levados adiante e que violência é parte de uma "cultura trotista" na instituição

Luiz Fernando Toledo, O Estado de S. Paulo

29 Janeiro 2015 | 18h58

A Pontifícia Universidade Católica (PUC) de Sorocaba, no interior de São Paulo, pediu aos estudantes da instituição que denunciem formalmente todos os casos de abusos em trotes e festas que ocorrerem na instituição. Em dois anos - 2013 e 2014 - a universidade abriu 28 sindicâncias, que resultaram em duas expulsões e uma advertência. Alunos alegam que relatos não são levados adiante. 

Na tarde desta terça-feira, 29, o vice-reitor da PUC-SP José Eduardo Martinez e uma representante jurídica da reitoria participaram de audiência da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que apura violência em instituições de ensino de São Paulo, da Assembleia Legislativa (Alesp).

Uma representante jurídica da universidade pediu aos alunos que denunciassem todos os casos e afirmou que sem depoimentos formais, não existe a possibilidade de apuração dos casos. Os alunos afirmam que há uma "cultura trotista" e que só as denúncias não bastam, já que muitos dos alunos colaboram para manter as práticas violentas no curso de medicina. 

Durante a sessão, oito estudantes de medicina relataram práticas de trote ocorridas tanto no campus quanto em festas de calouros. Entre as denúncias, havia relato de que novos alunos são obrigados a usar a mesma roupa durante maos de um mês, além de serem proibidas de usar elevador. 

Em festas, os calouros seriam forçados até a ingerir fezes e urina. As práticas haviam sido denunciadas inicialmente pelo estudante Rodolfo Furlan, de 22 anos, em audiência anterior. O estudante, que organizou, junto a outros alunos, um Grupo de Apoio ao Primeiranista (GAP) para denunciar abusos, agora disse estar sendo perseguido nas redes sociais por "difamar" a instituição. Durante a audiência, foram exibidos ainda hinos esportivos da Atlética da instituição, com letras que os alunos consideram machistas e opressivas. 

Ao presidente da CPI, o deputado estadual Adriano Diogo (PT), Martinez afirmou ser totalmente contrário às práticas e relembrou que já acatou parte da demanda dos estudantes, como a proibição da venda do "kit bixo",que incluía a vestimenta obrigatória dos calouros. Também foi ressaltado que o trote é proibido na universidade e o que existe é apenas uma recepção de calouros.  De acordo com ele, a PUC quer atuar contra o que foi relatado em três "eixos": educação, prevenção e punição. "Não vamos ignorar nenhuma das ameaças", disse.

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