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Publicitário diz que matou zelador por causa de cartas

Segundo polícia, acusado disse que briga por causa da entrega de correspondência e de jornais teria sido estopim do crime

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Luiz Fernando Toledo,
O Estado de S. Paulo

03 Junho 2014 | 12h55

Atualizada às 20h41

SÃO PAULO - Uma discussão sobre a entrega de correspondência e de jornais foi o estopim para que o publicitário Eduardo Martins, de 47 anos, matasse o zelador de seu prédio, Jezi Lopes de Souza, de 63. Essa foi a alegação dada em depoimento pelo réu confesso, conforme afirmou nesta terça-feira, 3, o delegado Egídio Cobo, titular do 13.º DP (Casa Verde). “Ele diz que o zelador roubava cartas e jornais”, explicou. 

Na versão que Martins apresentou aos policiais quando confessou o crime, ele relata que se desentendeu com o zelador no hall do 11.º andar, quando saía para retirar o lixo. Jezi teria dito que, se Eduardo o agredisse, “pegaria o filho dele”. O publicitário afirmou que, sentindo-se ameaçado, iniciou “uma luta corporal”, até que o zelador bateu a cabeça na quina da porta.

Depois de matar o zelador, o publicitário foi filmado saindo do elevador com uma mala e um grande saco plástico onde estaria o corpo da vítima. O acusado foi até a casa do pai, na Praia Grande, onde teria esquartejado o corpo. Ele acabou preso anteontem, quando tentava queimar a vítima ao lado de uma churrasqueira. 

Além dele, a polícia também deteve sua mulher, a advogada Ieda Cristina Cardoso da Silva Martins, de 42 anos. Ela é suspeita de ter ajudado o marido a esconder o corpo.

No momento em que o publicitário assassinou o zelador, às 15h30 de sexta-feira, Ieda estaria trabalhando em seu escritório. Foi o que afirmou nesta terça o advogado de defesa dela, Roberto Guastelli, em entrevista ao Estado. A mulher do publicitário cumpre prisão temporária.

Nada de anormal. Conforme o relato de seu defensor, Ieda teria retornado para casa às 17h do dia 30, porque o marido ligou dizendo que passava mal. Ela não teria percebido nada de anormal, nem notado que o corpo do zelador estava na mala. “Não tinha cheiro nem muito sangue. Ela não sabia do crime brutal que o marido cometeu”, argumentou.

As imagens do condomínio mostram Ieda ajudando a levar a mala até o veículo Logan. Segundo seu advogado, ela já separava roupas e calçados há algum tempo para doar, e pensou que se tratasse dos objetos. “Ele pegou a parte mais pesada, nas rodinhas, ela só ajudou”, disse Guastelli. 

O advogado entrará com pedido de revogação da prisão temporária da cliente. “É primária, profissional liberal, tem residência própria e contribuiu com a Justiça. Ieda ficou perplexa quando soube do crime.”

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