Bruno Ribeiro/Estadão
Bruno Ribeiro/Estadão

Ato contra Lei de Migração termina com prisão de dono do Al Janiah

Manifestante descendente de palestinos foi detido com pelo menos seis pessoas após confusão com grupo de direita

Bruno Ribeiro, O Estado de S.Paulo

03 Maio 2017 | 02h47

SÃO PAULO - O protesto de um grupo chamado Direita São Paulo, que percorria a Avenida Paulista, na região central da capital paulista, gritando palavras de ordem contra a nova Lei de Migração, terminou em briga após os manifestantes se encontrarem com um grupo que tinha um imigrante árabe, na noite desta terça-feira, 2. A Polícia Militar deteve duas pessoas na avenida e outras duas que foram ao socorro dos colegas, já no 78.º Distrito Policial (Jardins). 

O começo da briga não estava claro até o começo da madrugada desta quarta. Os policiais civis que estavam na delegacia não deram explicações à imprensa. 

Entre os detidos, está Hasan Zarif, do restaurante Al Janiah, estabelecimento na Bela Vista, região central, que vem ganhando fama pelos pratos palestinos e pelas baladas. Seu advogado, Hugo Albuquerque, nega que ele tenha iniciado alguma agressão contra os manifestantes. 

Uma série de vídeos postados nas redes sociais registrou a confusão no meio da avenida, mas sem mostrar o começo do tumulto. O advogado Albuquerque afirmou que, segundo Zarif, os manifestantes foram em seu encontro e iniciaram provocações, que terminaram em agressões mútuas. "Houve troca de ofensas e vias de fato", afirmou. 

Cerca de 50 pessoas foram à delegacia aguardar a soltura do imigrante e de seus colegas. Quatro equipes do Grupo Armado de Repressão a Roubos e Assaltos (Garra) foram chamadas para também permanecer na porta do distrito, mas até 2 horas não havia registro de novos tumultos. 

O grupo se reuniu após o advogado de Zarif afirmar ter ficado ao menos três horas sem poder falar com seus clientes. 

Outro preso seria o estudante Roberto Gomes de Freitas, de 18 anos. Na porta da delegacia, sua mãe, Cleide Aparecida Gomes, afirmou que o filho é militante de movimentos de esquerda e também reclamou da falta de informações sobre ele. "Todos nós só queremos um Brasil melhor. Eu já recebi uma bandeira de São Paulo dobrada e não quero receber outra", disse a mãe, abalada, se referindo ao pai do rapaz, policial militar já falecido.

Os outros dois detidos não tiveram as identidades informadas. Eles estariam no Al Janiah participando de uma palestra sobre o centenário da Revolução Russa de 1917 e foram até a delegacia quando souberam, pelo WhatsApp, da prisão. Ao chegarem ao local, foram detidos também, segundo testemunhas. 

Não havia simpatizantes do movimento Direita São Paulo para dar a versão deles dos fatos. A polícia não confirmou se havia algum integrante do grupo detido, embora o advogado de Zarif tenha dito que havia integrantes do movimento dentro da delegacia. No Facebook, o grupo postou textos e fotos afirmando que haviam sido atacados por "terroristas". Nos relatos, a página afirma que uma bomba caseira foi lançada. Os manifestantes gritavam palavras para exaltar a PM e dizendo "comunista tem que morrer". 

Por causa da falta de acesso ao cliente, Albuquerque pediu auxílio à Comissão de Prerrogativa da Ordem dos Advogados do Brasil de São Paulo (OAB-SP), segundo informou, e um representante esteve na delegacia. Só depois ele teria tido acesso ao cliente. 

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