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Protesto contra a Copa em São Paulo termina em tumulto e depredação

Mônica Reolom, Paulo Saldaña e Rafael Italiani - O Estado de S. Paulo

15 Maio 2014 | 21h 51

Pelo menos 4 pessoas, incluindo 2 fotógrafos, ficaram feridas; ao menos oito foram conduzidos à delegacia após confronto com a PM

Atualizada às 23h57

SÃO PAULO - Pelo menos três agências bancárias e uma concessionária depredadas, uma guarita da Polícia Militar tombada e pichada e restos de lixo queimado foram os vestígios deixados pela manifestação contra a Copa entre a tarde e a noite desta quinta-feira, 15, no centro de São Paulo. O ato reuniu 1,2 mil pessoas. Ao menos quatro ficaram feridos e oito foram detidos pela polícia na região da Paulista.

Às 17h30, a avenida, no sentido da Consolação, já estava interditada na altura da Alameda Campinas. Manifestantes liberaram apenas a faixa da esquerda para a passagem dos ônibus. Os manifestantes começaram a se concentrar por volta das 18 horas na Praça do Ciclista, na Avenida Paulista. Também havia grupos no Museu de Arte de São Paulo (Masp) e na Praça Roosevelt. Na saída, os participantes da marcha tocavam tambores e distribuíam panfletos.

Cicloativistas, as amigas Nê Polipenca, de 44 anos, e Carolina Lobo, de 38, participavam pela primeira vez de um ato contra a Copa. Elas vieram da cidade de Itapetininga, no interior de São Paulo, para um evento de bike e aproveitaram para engrossar o número de participantes do protesto. "O que foi investido na Copa deveria ser mais utilizado na Saúde, na Educação", reclamava Carolina. "A gente ama o Brasil, mas assim não dá", completava Nê.

A passeata começou às 18h55, mas os manifestantes caminharam pouco. Na frente do Cemitério da Consolação, mascarados e não mascarados começaram a bater nas portas de alumínio das lojas. Foi quando, às 19h15, a PM jogou a primeira bomba de efeito moral. Não se sabe se algum manifestante fez uma provocação. Em seguida, houve correria e os black blocs que estavam mais à frente fizeram barricadas com fogo.

A Tropa de Choque ficou mais para trás, fazendo um cordão de isolamento para ninguém passar. Os black blocs acabaram ficando livres para atuar, mesmo com a Polícia Militar jogando bombas para dispersão. Alguns manifestantes seguiram na direção do Estádio do Pacaembu, queimaram lixo e destruíram lixeiras na descida da Rua Major Natanael. A Consolação ficou bloqueada até por volta das 21h.

Uma agência da Hyundai foi quebrada e pichada por grupos de manifestantes na Rua da Consolação. Eles também quebraram os carros dentro da loja. Com o avanço da Tropa de Choque pela Consolação, a passeata se dispersou por várias ruas do centro.

Feridos e presos. Quatro pessoas, incluindo dois fotógrafos e uma policial militar, ficaram feridas na confusão. Um dos profissionais de imagem quebrou a perna e outro sofreu ferimentos, por causa de estilhaços de bombas de efeito moral.

Durante o protesto, a Tropa de Choque chegou a entrar na Estação Paulista da Linha 4-Amarela do Metrô em busca de manifestantes Black Bloc. A estação chegou a ser fechada para a entrada de usuários por 15 minutos.

Por volta das 18h, a PM já havia detido sete black blocs com coquetéis molotov e martelos na área da Augusta. Mais tarde, um adolescente foi apreendido por depredar um banco e encaminhado à Fundação Casa. Os demais foram levados pela polícia para averiguação no 78.º DP. Desses, 3 assinaram um termo circunstanciado e os demais foram liberados.

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