Promotor proíbe enterro de serial killer até fim do inquérito

Acusado de assassinar 6 jovens foi achado morto em sua cela no domingo. Laudo preliminar do IML aponta para suicídio

Rodrigo Rangel / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

20 Abril 2010 | 00h00

O Ministério Público determinou à Polícia Civil e ao Instituto Médico Legal (IML) de Goiás que não liberem o corpo do pedreiro Adimar Jesus da Silva até que seja concluída a investigação de sua morte. Adimar, que afirmara ter matado seis jovens na cidade de Luziânia, foi encontrado morto no domingo dentro da cela onde estava detido, numa delegacia de Goiânia. A Polícia Civil afirma que ele se suicidou. A versão do suicídio foi referendada pelo IML goiano, que ontem informou ter concluído todos os exames cadavéricos no corpo de Adimar.

Os laudos devem ficar prontos em dez dias. "Primeiramente queremos ver esses laudos para saber se vai ser preciso fazer algum exame adicional e, só depois, o corpo poderá ser liberado", disse o promotor Ricardo Rangel, do Ministério Público Estadual de Goiás. Rangel é responsável pelo inquérito que apura os assassinatos em série supostamente cometidos por Adimar.

Apesar da medida, o promotor afirma que até agora não há razões para duvidar da versão do suicídio. "Estamos fazendo isso preventivamente", disse. No domingo, a Polícia Civil de Goiás anunciou que Adimar se enforcou com a corda improvisada.

"Inadmissível".Ontem, o promotor Ricardo Rangel criticou a atuação dos órgãos de segurança de Goiás no caso. Para ele, a Polícia Civil não poderia ter permitido que Adimar se matasse. "É inadmissível o que aconteceu", afirmou. "A morte dele traz um prejuízo irreparável para a investigação", afirmou o promotor. Segundo ele, ao fim da investigação, ainda que seja comprovado o suicídio, o Ministério Público poderá processar as autoridades que deveriam ter zelado pela integridade física do preso.

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