Projeto nunca foi pensado para abrigar 'gênios'

Quando o curso de Ciências Moleculares foi criado, esperava-se que servisse de paradigma para outras mudanças na graduação da USP. Com um formato ambicioso, ele sempre foi bem avaliado por especialistas externos e tem formado pesquisadores bem-sucedidos.

Análise: Roberto Leal Lobo, O Estado de S.Paulo

21 Abril 2014 | 02h02

A ideia surgiu em discussões sobre a dificuldade de formarmos estudantes com visão multidisciplinar. Para isso, seria necessário desmontar a rígida estrutura curricular centrada nos departamentos. Docentes de diferentes áreas e também os alunos precisariam trabalhar em conjunto, o que impediria a ênfase nas aulas tradicionais. Outra motivação era a necessidade de estimular o estudante bem formado e interessado em avançar rapidamente para as fronteiras do conhecimento.

Houve a ajuda de professores e gestores entusiasmados com o projeto, mas não houve apoio dos departamentos para absorver sua criação formal, o que nos forçou a criá-lo ligado à Reitoria, como curso experimental.

Este curso nunca foi pensado para abrigar "gênios" nem para formar alunos que se considerem superiores. O projeto é para estudantes que queiram e possam dedicar um período de suas vidas a um trabalho intenso e ambicioso e iniciar suas pesquisas imediatamente após sua graduação.

ROBERTO LEAL LOBO FOI REITOR DA USP DE 1990 A 1993, PERÍODO EM QUE O CURSO FOI CRIADO

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