Gabriela Biló/Estadão
Gabriela Biló/Estadão

Projeto anticrack utilizará experiência latino-americana

Programa Recomeço assinou convênio com federação Latino Americana de Comunidades Terapêuticas; taxa de reabilitação é de 55% no Brasil e de 80% nos países onde atua a organização

Fábio de Castro, O Estado de S. Paulo

11 Dezembro 2015 | 12h03

SÃO PAULO - A experiência de países latino-americanos no tratamento de dependentes químicos será utilizada pelo governo paulista para aprimorar o Programa Recomeço - o projeto estadual de combate à dependência em crack. A Secretaria de Desenvolvimento Social assinou nesta sexta-feira, 11, um convênio com a Federação Latino Americana de Comunidades Terapêuticas (Flact).

e acordo com o secretário Floriano Pesaro, a organização é líder internacional no tratamento e reabilitação de usuários de substâncias psicoativas, com atuação em países como Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Costa Rica, Equador, México, Peru, Uruguai e Paraguai.

O objetivo do acordo, segundo Pesaro, é que a Flact transfira sua experiência para melhorar a gestão das comunidades terapêuticas que fazem parte do programa. A organização também enviará a São Paulo técnicos que irão passar seu conhecimento para os profissionais que atuam em parceria com o programa paulista. A organização também oferecerá cartilhas que serão traduzidas para o português.

"A Flact tem uma metodologia de monitoramento e avaliação dessas comunidades terapêuticas internacionalmente reconhecida e utiliza métodos de tratamento de ponta, reconhecidos pela OMS. Fomos buscar essa parceria internacional para nos ajudar a consolidar nossa rede de comunidades terapêuticas", disse Pesaro. Segundo ele, o programa Recomeço tem convênios com 41 comunidades terapêuticas, que oferecem 983 vagas de acolhimento social."

As Comunidades Terapêuticas são equipamentos diferenciados com características fundamentais e sensíveis para o acolhimento de usuários de substâncias psicoativas que precisam passar por um processo de recuperação em um espaço protetivo", afirmou o secretário.

Segundo ele, as comunidades terapêuticas no Brasil são tradicionalmente ligadas a entidades religiosas, com trabalho fundamentado no voluntariado. "As comunidades já existiam, mas não funcionavam em rede, nem tinham apoio do Estado. Com o programa Recomeço, começamos a credenciar essas organizações e dar a elas parâmetros de trabalho. Agora estamos entrando em um segundo momento do programa. A intenção é sofisticar a atuação das comunidades terapêuticas", declarou.

A Flact, de acordo com Pesaro, orientará a capacitação de profissionais que atuam nas comunidades terapêutica, incluindo os que trabalham na rua, com a abordagem de dependentes. "Eles incluirão também no programa novas técnicas terapêuticas que foram desenvolvidas por eles e que hoje não temos no Brasil. Essas metodologias ajudarão a otimizar o tempo de permanência dos dependentes, para que fiquem o menor tempo possível nas comunidades, mas que saiam delas com resultados", disse Pesaro.

De acordo com Pesaro, os padrões de atendimento e atenção oferecidos aos dependentes em vários países latino-americanos são melhores que os do Brasil. "O Brasil hoje trabalha com 45% a 55% de sucesso na recuperação de dependentes. É um número muito baixo e o trabalho acaba sendo custoso, porque é preciso tratar a mesma pessoa várias vezes. Nos países onde atua a Flact, a taxa de sucesso é de 80%", explicou o secretário.

O número de comunidades terapêuticas deverá aumentar no Brasil, segundo Pesaro. "A demanda é crescente. Hoje temos um número cada vez maior de pessoas que procuram essa alternativa de tratamento. Com essa tendência de crescimento, precisamos de uma boa regulamentação - o que inclui bons contratos. Tudo o que pudermos trazer de conhecimento técnico e científico é importante para melhorar o funcionamento dessa rede", disse.

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