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Projeto de transposição do Paraíba do Sul deve custar R$ 500 milhões

Fabio Leite e Pedro Venceslau - O Estado de S. Paulo

19 Março 2014 | 16h 48

Obra anunciada nesta quarta-feira pelo governador Geraldo Alckmin pode levar 14 meses para ser concluída após obtenção de autorizações

Atualizada às 18h55

  SÃO PAULO - O governador de São Paulo Geraldo Alckmin anunciou na tarde desta quarta-feira, 19, um projeto de captação de água da bacia do Rio Paraíba do Sul, na região do Vale do Paraíba para abastecer o Sistema Cantareira. As obras devem custar cerca de R$ 500 milhões. Segundo Alckmin, a transposição de água entre a represa de Jaguari e o reservatório Atibainha só acontecerá se o nível do Sistema Cantareira estiver abaixo de 35% da capacidade.

De acordo com o governador, nos últimos dez anos isso só ocorreu em duas ocasiões: uma delas corresponde ao momento atual. Nesta quarta-feira, o Cantareira atingiu o volume de 14,7% de sua capacidade.

A proposta é retirar água de um dos braços da represa do Jaguari, na cidade de Igaratá, por meio de uma estação elevatória e levá-la ao reservatório Atibainha, em Nazaré Paulista, no Sistema Cantareira, por um canal com 15 km de extensão.

Tempo. A previsão é de que a obra, que deve durar 14 meses, demore três meses para começar. Será necessária a obtenção de licitação, outorga do Departamento de Água e Energia Elétrica (DAEE) e licenças ambientais. O projeto será executado integralmente com o dinheiro do governo do Estado.

A proposta ainda passará pela avaliação da Agência Nacional de Águas (ANA). Segundo o governador Geraldo Alckmin, a  ANA precisa autorizar a obra porque o Rio Paraíba do Sul é fonte de produção de energia elétrica e quem regula essa operação é a Agência. "Tivemos um encontro com a presidente Dilma que ainda não se manifestou oficialmente, mas não tenho dúvida de que esta é uma medida correta", disse Alckmin.

O governador de São Paulo conversou nesta quarta-feira com os governadores de Minas Gerais, Antonio Anastasia (PSDB) e do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), uma vez que o Rio Paraíba do Sul também abastece esses dois Estados. Segundo Alckmin, o colega mineiro se disse favorável e Cabral disse que vai estudar a medida junto com os técnicos do governo.

Alckmin disse que a medida não impactará nem a produção de energia elétrica nem o fornecimento de água para as cerca de 15 milhões de pessoas que são abastecidas pelo Rio Paraíba do Sul, nos Estados São Paulo e Rio de Janeiro. O projeto de transposição enfrenta resistência de técnicos e prefeitos da região do Vale do Paraíba e de municípios do Rio.

A proposta é um dos arranjos previstos pelo governo estadual no Plano Diretor de Aproveitamento de Recursos Hídricos para a Macrometrópole Paulista, que começou a ser produzido em 2008 com objetivo de analisar alternativas de novos mananciais para o suprimento de água até o ano de 2035.

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