Projeto acaba com profissão de cobrador de ônibus

Proposta apresentada ontem na Câmara permite que cobrança de passagens seja feita por motoristas contratados a partir de 2012

DIEGO ZANCHETTA, RODRIGO BURGARELLI, O Estado de S.Paulo

08 Dezembro 2011 | 03h03

Com o apoio do prefeito Gilberto Kassab (PSD), o vereador e ex-presidente da Câmara Municipal Antonio Carlos Rodrigues (PR) apresentou ontem projeto de lei que autoriza o fim da função dos 15 mil cobradores de ônibus de São Paulo. Se aprovada, a proposta permite que o trabalho de cobrança de passagens passe a ser atribuído aos motoristas contratados a partir de 2012.

Esse é o primeiro projeto que tenta modificar uma polêmica lei de 2001 que blindou a função de cobrador. A regra prevê que todos os coletivos da cidade tenham um funcionário para auxiliar o motorista a orientar os usuários e fazer cobranças. Um dos argumentos para a mudança é de que hoje apenas 8% dos usuários de coletivos municipais pagam as passagens com dinheiro - todos os outros usam o bilhete único, criado em 2004.

Ligado aos donos das viações de ônibus, Rodrigues disse que o fim dos cobradores visa a reduzir os custos operacionais apontados pelo próprio Sindicato de Motoristas e Cobradores. Em maio, a entidade havia fechado acordo com os empresários do setor para acabar com a função de cobrador, realocando os funcionários para outras funções. O acordo não estipulou uma data - apenas a obrigação de um adicional de função de R$ 250 para os motoristas.

"Não tem nada de pressão de empresário, é apenas uma readequação de funções", argumentou Rodrigues. Pelo projeto, os cobradores devem ter preferência nas seleções na contratação de novos motoristas. A previsão é que o texto seja analisado hoje na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).

Kassab. Líderes governistas afirmavam desde segunda-feira que o prefeito queria um projeto para colocar fim aos cobradores. Apesar de fazer oposição a Kassab, Rodrigues aceitou apresentar a proposta para agradar seus aliados dentro das empresas de ônibus. Oficialmente, o governo nega que tenha articulado a apresentação da proposta.

O Estado apurou também que os donos das viações pressionam Kassab pelo fim dos cobradores desde 2009. Mas o prefeito sempre alegou que não poderia assinar um projeto com essa proposta por causa do prejuízo político que poderia causar, apesar do alto valor dos subsídios pagos pela Prefeitura - R$ 600 milhões só no ano que vem - para manter a tarifa em R$ 3.

Por enquanto não existe acordo entre os líderes de bancada para a votação da proposta.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.