Fábio de Castro
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Professores voltam a protestar contra reforma da Previdência municipal

Pelo segundo dia, manifestantes fazem ato contra projeto; nesta quarta, manifestação terminou com três feridos

Fábio de Castro, O Estado de S.Paulo

15 Março 2018 | 15h00
Atualizado 15 Março 2018 | 19h03

SÃO PAULO - Um dia após entrarem em confronto com guardas civis e policiais militares na Câmara Municipal de São Paulo contra o projeto de mudança na Previdência municipal, professores e outros servidores municipais voltaram a se reunir nesta quinta-feira, 15, em frente à Câmara, em novo ato contra a reforma.

+++ Ato contra previdência de SP acaba com 3 feridos

A manifestação tomou toda a extensão do Viaduto Jacareí, que teve o trânsito interrompido pela Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) a partir das 13h10, quando a PM chegou ao local. O clima era de tranquilidade, embora o protesto desta quarta-feira, 14 - no qual os servidores tentaram pressionar os vereadores em audiência sobre o projeto - tenha sido marcado por violência.

Dois carros de som ficaram estacionados diante dos portões da Câmara, que permaneceu com portões fechados. Os manifestantes gritavam as palavras de ordem "A casa é do povo", referindo-se à Câmara e "Não vai ter arrego", indicando que a greve e as manifestações continuariam até que o projeto fosse retirado. 

Os manifestantes disseram que queriam entrar, mas de forma pacífica, e afirmavam que não deixariam o local nem mesmo sob "balas de borracha e bombas". Na véspera, eles haviam sido repelidos com bombas de gás lacrimogêneo lançadas pela PM. Antes, um grupo teria tentado entrar na Câmara. Uma professora foi ferida pela GCM no interior da Casa. 

Além de professores, em greve, a manifestação tem participação de agentes da vigilância sanitária, farmacêuticos, médicos e enfermeiros que atuam na Prefeitura. 

"O projeto é um absurdo total, o prefeito João Doria segue a mesma cartilha do governo federal. Não vamos parar até que o projeto seja retirado", disse a professora da rede pública Letícia Ramos, de 25 anos.

"A reação da GCM e da polícia ontem foi um tiro no pé. Por causa da violência, a manifestação hoje está enorme. Mas sabemos que os guardas municipais são funcionários como nós, que foram usados pela Prefeitura como capangas. Não queremos violência, temos direito de nos manifestar em uma democracia", declarou Marcos Souza Santos, agente da vigilância sanitária.

Entre as 13 horas e as 15 horas, os manifestantes não pararam de chegar à região da Câmara Municipal. A multidão se concentrou em toda a extensão do Viaduto Jacareí, mas a partir das 14h30 já tomava  também as ruas do entorno. A PM expandiu a área isolada, que incluiu todo o viaduto, as Ruas Jacareí, Japurá e parte da Avenida São Luís, entre a Rua da Consolação e a Rua Santo Antônio.

Até 17h30, não havia nenhum sinal de dispersão, nem de confusão. Um pequeno grupo de jovens com bandeiras anarquistas marcava presença no meio da multidão, mas, até esse horário, permaneciam tranquilos. 

Para entender: proposta prevê elevar alíquota

A reforma da previdência prevê elevar a alíquota de contribuição de 11% para 14% e criar um sistema complementar. Segundo a gestão Doria, isso é preciso para estancar o déficit do sistema, de R$ 4,7 bilhões em 2017. O novo regime define a alíquota de 14% somada a uma contribuição opcional, em que o servidor escolhe um porcentual, e a Prefeitura também contribui, até um limite. Esses valores ficarão em um fundo individual, com juros correntes. 

 

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