Professora de educação infantil é presa acusada de racismo

Adriana Teixeira de Castro, de 45 anos, foi liberada após pagamento de fiança de R$ 1,5 mil e deve responder em liberdade; ela não foi encontrada para comentar a ação

Felipe Resk, O Estado de S. Paulo

07 Julho 2015 | 16h37

SÃO PAULO - Uma professora da rede municipal foi presa em flagrante pela Polícia Militar por ofender de maneira racista duas mulheres em uma loja de roupas na Vila Formosa, zona leste da capital paulista, na tarde do domingo, 5. Adriana Teixeira de Castro, de 45 anos, que dá aulas em uma escola de educação infantil da região, foi liberada após pagamento de fiança e deve responder por injúria racial em liberdade.

A gerente Thais Costa da Silva, de 21 anos, conta que estava na loja com a tia, de 42 anos, por volta das 15 horas, quando a professora tentou passar por um corredor e esbarrou nas duas, dando início a um bate-boca. Na discussão, a professora teria chamado as vítimas de "negrinhas". Segundo Thais, a professora ainda afirmou que "só de olhar para cara das dá para saber que são pessoas baixas".

Ofendidas, as vítimas procuraram uma base móvel da Polícia Militar, perto de onde estavam, para denunciar a agressora. De acordo com o boletim de ocorrência, os policiais acompanharam as duas mulheres em uma viatura até a loja e encontraram Adriana e o marido saindo de carro do estacionamento.

Ainda segundo o registro, o marido dela teria relutado em atender os policiais e só parou o veículo após dar uma volta na Praça Dr. Sampaio Vidal. O documento também afirma que, ao ser questionado sobre os fatos, o marido da professora "foi extremamente arrogante e se resumiu a dizer que se reportaria apenas à autoridade".

Após confirmar as ofensas com uma testemunhas, os policiais deram voz de prisão a Adriana, que foi levada para o 31º Distrito Policial (Vila Carrão). A professora foi liberada após pagar a fiança, arbitrada em R$ 1,5 mil.

Revolta. "Eu me senti muito ofendida, minha vontade na hora era ter ido pra cima dela", afirma Thais, uma das vítimas da ofensa. "Ela foi muito arrogante. Nunca uma pessoa pode ser tratada pela cor da pele, é ridículo. Ainda mais porque ela é educadora."

A gerente diz que ficou revoltada e que pretende entrar com uma ação por danos morais contra a professora. "Até ontem (segunda) eu estava muito abalada com tudo isso", conta.

Em nota, a Secretaria Municipal de Educação afirma que o Departamento de Procedimentos Disciplinares vai acompanhar o inquérito policial ou processo, caso a denúncia seja aceita pela Justiça. "Eventual condenação da esfera criminal pode ensejar a aplicação de penalidade ao servidor, ou em caso extremo, sua demissão do serviço público", diz a nota.

A pasta também afirma que é "dever do servidor público manter conduta compatível com a dignidade e o decoro da função", mas que "a ocorrência se deu na esfera da vida civil da servidora, neste momento cabe à administração, tão somente, acompanhar o andamento do processo e sua posterior conclusão".

A reportagem tentou contato com a professora por telefone, mas ela não atendeu o celular. Procurado, o marido dela também não atendeu a ligação. 

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