Foto: Sérgio Castro|Estadão
Foto: Sérgio Castro|Estadão

Problemas com poço e estações fazem entrega da Linha 5 atrasar de novo

Adiamento da conexão com o restante da rede metroviária será de ao menos 4 meses, segundo o Estado

Bruno Ribeiro, O Estado de S.Paulo

14 Novembro 2017 | 04h00

SÃO PAULO - A conexão da Linha 5-Lilás da Companhia do Metropolitano de São Paulo (Metrô) com o restante da rede metroviária, prevista para ocorrer até dezembro, vai atrasar ao menos mais quatro meses. Em entrevista exclusiva ao Estado, o secretário dos Transportes Metropolitanos, Clodoaldo Pelissioni, apontou problemas na execução de obras entre as futuras Estações Eucaliptos e Moema e disputas administrativas entre empresas que fariam o acabamento das Estações Santa Cruz (ligação com a Linha 1-Azul) e Chácara Klabin (ligação com a Linha 2-Verde).

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“Temos as sete estações em obras, com 4,3 mil funcionários trabalhando e temos os cronogramas que pretendemos cumprir agora: entregar em janeiro a Estação Eucaliptos; em fevereiro, Moema, AACD-Servidor e Hospital São Paulo; em abril as duas integrações, Santa Cruz e Chácara Klabin; e em dezembro, Campo Belo”, relatou Pelissioni. Anteriormente, as estações estavam previstas para dezembro, exceto a Estação Campo Belo, que ficaria para 2018. 

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É mais um adiamento no cronograma da obra, cuja promessa original de entrega era 2014. Logo no início, porém, os serviços foram suspensos por suspeitas de ação de cartéis tanto nas obras civis quando no fornecimento dos trens – os processos ainda estão na Justiça. 

Posteriormente, previa-se conexão para 2015 – alterado depois para 2016, 2017 e agora 2018. Ainda assim, as obras devem ser entregues pelo governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), antes do prazo para sua desincompatibilização – caso venha a ser candidato a presidente – em abril. 

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O secretário explica que, entre Eucaliptos e Moema, houve um atraso de dois meses em obras das empresas Tiisa e Heleno da Fonseca, que atuam em consórcio, o que acabou afetando as obras de túneis de ventilação de segurança. “Já nas interligações, tivemos de contratar uma empresa para executar o acabamento e tivemos recursos administrativos e judiciais na licitação. Tentamos a todo o custo manter a meta, mas para manter a segurança vimos que não seria possível.”

O consórcio, segundo o Metrô, foi multado em R$ 4,6 milhões. A reportagem procurou as empresas, mas não conseguiu localizar a assessoria de imprensa da Tiisa. Na Heleno, o Estado pediu posicionamento, mas os responsáveis não se pronunciaram até 23 horas. 

Outro tema relacionado à Linha 5 ainda indefinido é a concessão do ramal, associado ao monotrilho da Linha 17-Ouro, à iniciativa privada. O edital está suspenso por determinação do Tribunal de Contas do Estado (TCE), que atendeu a pedido da bancada do PT na Assembleia. “Todos os esclarecimentos já foram prestados”, diz Pelissioni.

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Espera

Enquanto isso, a população se mostra impaciente com a demora da obra. “Se tivesse metrô, eu já estaria em casa em vez de ficar parado, em pé, esperando o único ônibus que me leva em casa”, diz o consultor de vendas Fábio Henrique Sousa, de 33 anos, que aguardou o coletivo ontem por mais de uma hora. Iria de Moema, na zona sul, onde trabalha, até o Jardim Ângela, também na zona sul. 

Demais obras. Pelissioni afirma que o restante das obras em execução no Metrô estão dentro dos prazos. A próxima inauguração, prevista para dezembro, é da Estação Higienópolis-Mackenzie, da Linha 4-Amarela, na região central da cidade. 

Para Cumbica, o que vai faltar são os trens com bagageiro

Com entrega prevista para março, o trem da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) que ligará a capital ao Aeroporto Internacional de Cumbica, em Guarulhos, será operado, inicialmente, por trens comuns, sem bagageiro. A operação com a frota específica, de oito trens adaptados para receber malas, deverá começar só a partir de dezembro.

Segundo o secretário estadual dos Transportes Metropolitanos, Clodoaldo Pelissioni, a compra dos trens, feita com financiamento do Banco Europeu de Investimentos (BEI), sofreu recursos de empresas que participavam da licitação e o governo do Estado demorou dois meses a mais do que o previsto para assinar os contratos com os fornecedores chineses dos equipamentos. 

“Vamos colocar trens que estão sendo entregues da Hyundai e da CAF (para outras linhas da rede) para operar. São trens ótimos, mas não têm bagageiro. Só em dezembro o ramal receberá trens próprios”, afirma o secretário. Os trens partirão da Estação Engenheiro Goulart, da Linha 12-Safira. /COLABOROU JULIANA DIÓGENES

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Priscila Mengue, O Estado de S.Paulo

14 Novembro 2017 | 04h00

SÃO PAULO - Da janela de seu apartamento, a aposentada Sotiria Tassopoulous, de 71 anos, observa as transformações no distrito de Santo Amaro, na zona sul de São Paulo, há 39 anos. “Aumentou muito (o número de prédios). Daqui, eu conseguia ver todo o Morumbi.”

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Para ela, a inauguração da Estação Borba Gato, da Linha 5-Lilás, em setembro deste ano, também fez crescer o número de pedestres, o que ela espera que se intensifique com a conclusão de obras de edifícios residenciais na região. “Não vejo a hora. Vai ter mais gente morando. Os sábados são calmos por aqui”, diz.

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Segundo a Empresa Brasileira de Estudos de Patrimônio (Embraesp), as zonas de valor das novas estações de Metrô (Brooklin, Chácara Santo Antônio e Santo Amaro) tiveram 13.701 apartamentos lançados entre 2014 e 2016, o que representa 17,9% do total da cidade no período. Um dos diretores da empresa, Reinaldo Fincatti, aponta que a abertura do uma estação resulta em uma valorização de 10 a 30% nos imóveis do entorno. 

O impacto pode atingir também aos imóveis antigos, já disponíveis na região. Com um apartamento aberto para locação desde setembro de 2016 no Jardim das Acácias, bairro do Brooklin, o auditor Miguel Sanchez, de 45 anos, começou a receber mais propostas após a abertura da estação e está prestes a fechar um contrato com um engenheiro, que vai dividir o imóvel com um amigo.

As novas estações estão localizadas em uma “zona de valorização contínua”, de acordo com definição do professor de Arquitetura e Urbanismo da Mackenzie, Antonio Claudio Fonseca. “O vetor sudoeste é o que tem recebido a maior parte dos investimentos nos últimos 50 anos. Não é uma região que se degrada ou perde valor”, comenta. Para Fonseca, deve ocorrer uma mudança no perfil da região, que ainda concentra muitas casas, sobrados e edifícios com grandes apartamentos.

Professor de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (USP), João Meyer concorda que o metrô torna a “região mais interessante paras as pessoas morarem”. “É uma região em que predominou mais uma ocupação de um padrão tipo família, em termos de prédios residenciais. Com o metrô, aumenta o interesse de um público mais jovem e de famílias menores”, comenta. 

 

Mais caro

Entre 2008 e 2016, o valor do metro quadrado dos lançamentos no distrito do Brooklin cresceu 75%, alcançando R$ 12.649, de acordo o Sindicato da Habitação de São Paulo (Secovi). O aumento está acima da média da capital, de 44,2% para o mesmo período, em valores corrigidos pela inflação. 

Locatária de um apartamento a uma quadra da Estação Brooklin, a cirurgiã dentista Fernanda Zanetti, de 23 anos, paga cerca de R$ 2.900 de aluguel. “Não acho (que vai aumentar), tenho certeza, mas aí não vou poder ficar. Com a crise, fica difícil.”

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