Rafael Arbex/Estadão
Rafael Arbex/Estadão

Prisões terminam em confronto na Cracolândia

Houve confronto de viciados com GCMs e policiais, com bombas e pedras; 2 pessoas foram feridas e se fechou a Estação Júlio Prestes

Bruno Ribeiro, Luiz Fernando Toledo, Rafael Italiani, O Estado de S. Paulo

25 Janeiro 2015 | 13h41

Atualizada às 21h15

SÃO PAULO - A prisão de uma mulher apontada como uma das principais distribuidoras de drogas da Cracolândia, no centro da capital paulista, fez dependentes entrarem em confronto contra guardas-civis e policiais no começo da tarde de domingo, 25. Houve lixo queimado e bombas lançadas. A Estação Júlio Prestes chegou a ficar fechada por 40 minutos. Um GCM e um usuário ficaram feridos e viaturas da Guarda foram apedrejadas.

A mulher presa é Eva Adriana Pereira, de 40 anos, que vinha sendo investigada por GCMs desde outubro como uma das “mulas” (distribuidoras finais) de crack na região. Os GCMs tentaram flagrá-la em ação. Segundo o boletim de ocorrência registrado no 2.º Distrito Policial (Bom Retiro), a suspeita gritou e disse que não queria ser presa. Isso atraiu a atenção dos demais dependentes da região, que partiram para cima dos guardas.

Um GCM foi atingido com uma pedrada na cabeça. Ele foi atendido no Hospital do Servidor Público Municipal e ficou em observação durante a tarde. Posteriormente, um acusado pela agressão acabou preso. A GCM e a PM enviaram reforços, com guardas passando a utilizar bombas, o que provocou mais corre-corre. 

Parte dos usuários colocou fogo em lixo, móveis usados e até nos barracos montados no “fluxo” – a área onde ficam os dependentes. A situação só se acalmou uma hora depois. 

O Corpo de Bombeiros teve de ser chamado para apagar os focos de incêndio e o efetivo da GCM no local acabou reforçado, com homens com escudos isolando grupos de viciados no restante do bairro. A Prefeitura aproveitou a confusão para chamar equipes e retirar parte dos restos de móveis e lonas que ficam no “fluxo” e limpar o lugar.

Prisão. Eva teria ido para a Cracolândia depois que a Prefeitura desmontou a uma favela que havia surgido no Parque Dom Pedro II. Esse aglomerado, por sua vez, veio de um programa malsucedido da Prefeitura, desenvolvido até 2012.

Assistentes sociais e guardas civis identificaram a migração dos traficantes de um local para o outro e até o prefeito Fernando Haddad (PT), em uma rara crítica dele à polícia, comentou o aumento da quantidade de crack na Cracolândia depois do fim da favela – em uma entrevista para a TV Estadão. 

Eva é mãe de oito filhos e está grávida do nono, segundo policiais civis que conversaram com ela após a detenção. Eles disseram que a acusada também é dependente de crack.

A mulher é procurada pela Justiça desde 2011, quando não voltou para o Centro de Progressão Penal do Butantã, na zona oeste paulistana, onde cumpria pena por furto. Ela deveria apresentar-se diariamente, mas um dia deixou de aparecer. Anteriormente, já havia respondido outros três processos criminais em São Paulo, todos por tráfico de drogas. 

Em um deles, chegou a ser absolvida, enquanto um homem que respondia o mesmo processo foi encaminhado para tratamento médico da dependência de drogas. Em 2006, acabou condenada a 4 anos de prisão por tráfico. 

Migração. Depois da confusão de domingo no centro, parte dos dependentes da cracolândia migrou da Praça Júlio Prestes, onde ficava, para a Rua Dino Bueno, logo ao lado. E voltou a fumar crack. 

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