Principal ajuda vem da solidariedade de moradores da região

Um empresário de Copacabana levou os funcionários para servir refeições e conhecer o drama dos desalojados

, O Estado de S.Paulo

11 Abril 2010 | 00h00

No Morro do Bumba, em Niterói, onde ocorreu a maior tragédia desta temporada de chuvas, uma rede de solidariedade se formou em ruas próximas da favela. Muitos dos voluntários são da própria comunidade, pessoas que perderam amigos e familiares, como Valdeir da Silva Fonseca, de 38 anos, cujo tio morreu no desabamento. "Estamos vivos, temos de continuar. Vim para ajudar quem ainda vive", disse Valdeir, na porta da Igreja Apostólica Cristã, uma das muitas que se mobilizaram para recolher doações.

Na mesma igreja, que entre meio-dia e 13 horas da sexta-feira serviu 250 refeições, Dayvison Maldonado tentava recolher roupas para vestir os quatro filhos, a mulher e a sogra. "Nem sei que dia é hoje, não sei se vou ter o que comer à noite. Só estamos sobrevivendo graças a esse tipo de ajuda", contou o contínuo.

Ele e a família estão morando desde a última terça-feira - quando a casa em que moravam foi soterrada - na casa de uma médica, que cedeu a residência para abrigá-los. "Minha mãe trabalhou na casa dela há muito tempo. Quando soube da nossa situação, nos procurou para oferecer um teto", disse Ana Paula Francisco da Silva, de 33 anos.

Empresários. Mas não são só os vizinhos que estão solidários. Além de escolas e igrejas da região, o drama das famílias desabrigadas chamou a atenção de moradores da zona sul do Rio. É o caso do empresário Juliano Moreira, dono da Seven, uma empresa de computação gráfica com sede em Copacabana que levou todos os 70 funcionários para o bairro de Viçoso Jardim, onde fica o Morro do Bumba, para atender as vítimas da chuva.

"Eu vi várias pessoas querendo ajudar, mas não sabiam como. Decidi, então, mobilizar todos aqui. Conseguimos doações, organizamos a operação e, hoje, vamos servir 500 refeições para os moradores", vibrou Juliano, que é morador de Niterói.

Na sexta-feira, somente um colégio particular, o tradicional La Salle Instituto Abel, de Icaraí, em Niterói, doou dez toneladas de donativos, entre roupas, alimentos e acessórios. As doações foram entregues em sete locais que viraram abrigos.

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