Rodrigo Cruz/AE
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Primeiro casamento gay de SP é realizado em Itaquera

Mário Domingos Grego, de 46 anos e Gledson Perrone Cordeiro, de 32 anos, que estão juntos desde 2002, tornaram a união oficial e receberam a certidão de casamento no no cartório de Itaquera

Jéssica Freitas, de O Estado de S.Paulo - ampliado às 14h15

18 Agosto 2012 | 12h55

O primeiro casamento civil gay da cidade de São Paulo aconteceu às 11h45 desse sábado, 18, no Cartório de Itaquera, na zona leste da capital paulista. Os noivos, o professor, agora chamado Mário Perrone Grego, de 46 anos, e o técnico em enfermagem, Gledson Perrone Grego, de 32 anos, estão juntos desde 2002 e viviam em união estável. Com base em um acórdão publicado no Diário de Justiça de 6 de julho de 2012, que autoriza o casamento civil de pessoas do mesmo sexo na cidade de São Paulo, o casal decidiu oficializar a união.

Usando camisetas com fotos de ambos, Mário e Gledson se emocionaram durante o casamento. "É muito lindo você lutar e conseguir", afirmou Mário, que chorou muito. "Foi uma emoção só, foi a conquista de um direito que estávamos tentando há anos", completou. Gledson afirmou que a união o fazia se sentir "mais igual aos outros cidadãos".

A cerimônia foi realizada pela juíza Janete Berto Pereira, que afirmou nunca ter casado pessoas de mesmo sexo durante 25 anos de profissão.

Cerca de 25 pessoas, entre familiares de Mário e amigos do casal, acompanharam a cerimônia em Itaquera. A família de Gledson não compareceu, porque ainda não apoia a união.

Anteriormente chamados Mário Domingos Grego e Gledson Perrone Cordeiro, os noivos optaram por casar no bairro onde moram para incentivar o casamento de outros homossexuais que vivem na periferia. Eles já possuem juntos uma casa em Itaquera.

Para Gledson, o casamento civil é mais legítimo que a união estável, pois a Justiça passa a considerá-los um casal, com todos os direitos trabalhistas e previdenciários, e também fica pressuposto o laço de afeto que existe entre os dois. Mário enumerou alguns dos direitos conquistados pelo casal: "Temos direito a herança de bens, união na declaração de imposto de renda e também as questões relacionadas a previdência ficam mais fáceis", conta. No caso de Gledson e Mário, o casamento foi feito por comunhão parcial de bens.

O casal, que já luta pelos seus direitos há muitos anos, tinha conquistado, antes mesmo do casamento, o título de dependente para Gledson, o que deu a ele o direito de compartilhar o plano de saúde de Mário. Hoje, eles se dedicam à militância no movimento social em defesa da população LGBT. Mário participa, principalmente, em questões educacionais e Gledson, na área da saúde. O casal faz parte da ONG Frente Paulista Contra a Homofobia.

Para comemorar a união legitimada, o casal oferecerá um almoço em casa, além de um jantar em uma pizzaria, para amigos e familiares. "Talvez role uma baladinha à noite para fechar", diz Mário, realizado pela conquista.

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