HÉLVIO ROMERO/ESTADÃO
HÉLVIO ROMERO/ESTADÃO

Prevista para este ano, USP nem iniciou a instalação de câmeras em câmpus

Após série de roubos, universidade prometeu 650 equipamentos; compra ainda está na fase de licitação, e apenas para parte do material

Luiz Fernando Toledo, O Estado de S. Paulo

17 Setembro 2016 | 03h00

SÃO PAULO - A Universidade de São Paulo (USP) ainda não iniciou a instalação das 650 câmeras de segurança previstas para o Câmpus Butantã, na zona oeste da capital, e para a USP Leste. A promessa era de que estivessem em funcionamento até o fim do ano. A compra ainda está em fase de licitação, e apenas para parte dos equipamentos: 200 na Cidade Universitária e mais 50 na zona leste. Hoje, o câmpus Butantã tem 102 câmeras. Na Faculdade de Direito do Largo São Francisco também havia a previsão de colocar o equipamento, mas não houve avanços.

O uso de videomonitoramento é parte das medidas anunciadas pela universidade no ano passado para conter a série de roubos e furtos, especialmente na Cidade Universitária. Na época, depois de um estudante ter sido baleado em uma tentativa de assalto, em setembro, a instituição acelerou as mudanças e adotou a chamada Polícia Militar Comunitária, que tinha como objetivo fazer ações mais preventivas e de aproximação com a comunidade. 

Depois disso, a Cidade Universitária passou a ter a presença de 62 policiais militares - quase o triplo em relação ao início do ano passado -, com idade média de 29 anos. Diferentemente dos guardas universitários, que devem proteger apenas o patrimônio da USP, os PMs também atuam nos crimes que acontecem na região. Neste ano, até agosto, a Superintendência de Prevenção e Proteção Universitária da instituição registrou 21 casos de roubo e 1 sequestro. O número de crimes caiu em relação ao ano passado: no mesmo período, foram 34 roubos e 2 sequestros, segundo dados obtidos pelo Estado. 

A USP diz que ainda está sendo feita a infraestrutura para receber as câmeras, mas não informou um novo prazo para que o projeto seja finalizado. O projeto de segurança também prevê reforma na sede da superintendência, mas a mudança foi paralisada porque a empresa responsável quebrou. Um novo contrato foi firmado em agosto e as obras devem ficar prontas somente em 2017.

Insegurança. Entre os alunos, as reclamações são de insegurança para andar à noite, falta de transporte coletivo e de guardas circulando pela universidade. A estudante de Biblioteconomia Iara Cristina Pereira, de 38 anos, evita ir embora sozinha das aulas. “Você anda com medo à noite, não dá para ficar sozinho.” Embora haja um ponto de ônibus perto de onde estuda, ela prefere atravessar a avenida para ficar com mais pessoas. 

A mestranda em Química Vanessa Ataíde, de 26 anos, diz que não sabe se haverá melhoria com a instalação de câmeras. “Em algumas unidades já existe câmera, mas não muda muita coisa.” Para o doutorando em Química Akira Ameku, de 28 anos, que mora no Butantã, mais ônibus na região ajudariam os alunos. “Muitas vezes vou embora a pé para casa porque o ônibus demora e é perigoso ficar esperando.”

Já o mestrando do Programa de Pós Graduação e Integração da América Latina (Prolam) Francisco Pereira, de 26 anos, diz que deveria haver mais diálogo com as comunidades carentes do entorno da universidade. “Sempre que alguém é preso, é de comunidade do entorno. Poderia ter diálogo com um líder comunitário, por exemplo.

Em nota, a USP ressaltou que o número de guardas universitários não mudou e eles não são responsáveis pelo patrulhamento do câmpus.

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