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Pressionado, PSOL muda evento de cidade

Acusado de ligações com grupos radicais que atuam em protestos no Rio, partido atrasa até lançamento de candidatura, que passa para São Paulo

Obrigado, nos últimos dias, a se defender de acusações de envolvimento com grupos radicais que provocam tumulto e depredação, o PSOL adiou em uma semana e mudou do Rio para São Paulo o lançamento da candidatura do senador Randolfe Rodrigues (AP) para presidente da República e da ex-deputada Luciana Genro (RS) a vice.

A festa aconteceria amanhã na Câmara Municipal carioca e foi transferida para a Câmara paulistana, no dia 24. O presidente nacional do partido, Luiz Araújo, nega que a mudança tenha ocorrido para evitar exposição do PSOL na cidade onde ocorreu a morte do cinegrafista Santiago Andrade, da Band. "O que aconteceu foi que paramos toda a organização do evento para responder às acusações e aos ataques que sofremos. Isso consumiu nossa capacidade de mobilização."

Preocupada em não ter a imagem do partido vinculada aos grupos radicais, a direção nacional do PSOL tirou do site oficial um artigo do secretário de Organização, Edilson Silva, em outubro, que critica a criminalização do movimento black bloc e defende o diálogo com seus integrantes. No texto, Silva diz que o black bloc "é algo progressivo, politicamente moderno, trazido pelas mãos da dialética da história". "Para quem quer mudar o mundo de verdade, não deve parecer utópico ou ingênuo demais querer ver os movimentos e partidos de esquerda coerentes, como o PSOL, dialogando com a tática black bloc (...)", afirma o dirigente.

Luiz Araújo informou que, por não ser a posição oficial do PSOL, mas a opinião de um militante, o partido decidiu tirar o texto do ar. "Queremos evitar mais mal entendidos", disse o presidente.

Acusações. Dias depois de o cinegrafista ser atingido, em protesto no centro do Rio, o advogado Jonas Tadeu Nunes, que defende os dois manifestantes investigados pela morte, disse ter ouvido da ativista Elisa Quadros, a Sininho, que os rapazes tinham ligação com o deputado estadual Marcelo Freixo, um dos principais líderes do PSOL no Estado. Freixo negou categoricamente envolvimento.

O mesmo advogado acusou, sem citar nomes, partidos políticos de pagar jovens para promoverem atos de vandalismo nas manifestações. Em depoimento à polícia, um dos investigados, Caio Silva de Souza, disse acreditar que partidos que levam bandeiras para os protestos pagam os manifestantes e citou PSOL e o PSTU.

Já pré-candidato a presidente, Randolfe Rodrigues acredita que os ataques ao PSOL fazem parte de uma ofensiva para "criminalizar todo tipo de manifestação que critique os negócios em torno da Copa" e diz que o partido não deixará as ruas. "Apoiamos manifestação, mobilização de rua e condenamos a violência, seja do Estado, seja de manifestante", diz.

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