Polícia Civil
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Presos se rebelam e incendeiam prisão em Bauru; ao menos 200 fogem 

Detentos roubaram carros de moradores, causando pânico; houve tiros e perseguição com a ajuda de um helicóptero da PM - Choque entrou na unidade

Alexandre Hisayasu, Felipe Resk, Isabela Palhares e José Maria Tomazela,, O Estado de S. Paulo

24 Janeiro 2017 | 11h43
Atualizado 24 Janeiro 2017 | 15h09

SÃO PAULO E SOROCABA - Presos do Centro de Progressão Penitenciária (CPP3) deram início a uma rebelião e atearam fogo em alas do prédio, na manhã desta terça-feira, 24, em Bauru, interior de São Paulo. A revolta se espalhou pelos três pavilhões e ao menos 200 conseguiram fugir, segundo a Polícia Militar de Bauru. Na fuga, os presos roubaram carros de moradores, causando pânico. Houve tiros e perseguição com a ajuda do helicóptero Águia da Polícia Militar.

A rebelião começou por volta das 8h30, segundo a PM. Os detentos incendiaram colchões e depredaram o prédio, mas não há notícia de reféns ou mortos. De acordo com o Sindicato dos Agentes Penitenciários do Estado de São Paulo (Sindasp), o motim teria começado depois que um agente viu um preso usando um telefone celular e tentou apreender o aparelho. Os outros presos da ala se revoltaram.

"Em princípio, os presos  questionaram a disciplina da unidade que seria, segundo eles, muito dura. Eles se rebelaram contra o diretor de segurança da unidade, que voltou de férias", diz Daniel Grandolfo, presidente do Sindasp. Segundo Grandolfo, o motim não teria relação com a guerra entre facções criminosas, registrada recentemente em outros presídios brasileiro, como no Amazonas, Roraima e Rio Grande do Norte. No CPP3 de Bauru estariam apenas detentos que pertencem ao Primeiro Comando da Capital (PCC).

A Tropa de Choque da PM entrou no presídio e, às 10h30, a situação era tida como controlada. Viaturas do Corpo de Bombeiros também conseguiram conter as chamas ateadas em colchões e pneus por volta das 11h30, segundo a Secretaria da Administração Penitenciária (SAP). Agentes penitenciários fazem, neste momento, a contagem nas celas do CPP3.

A PM também foi chamada para tentar recapturar os foragidos e já teria conseguido deter parte deles. Construído em uma área rural, o CPP3 de Bauru tem capacidade para 1.124 presos do regime semiaberto, mas estava com 1.427 detentos.

Em nota, a Secretaria da Administração Penitenciária (SAP) informou que durante a revista de rotina na manhã desta terça-feira houve um "tumulto" no alojamento da unidade. O acidente iniciou após um agente surpreender um preso utilizando um celular. 

"A situação já está controlada e o  Grupo de Intervenção Rápida, formado por agentes de segurança penitenciária, está junto com a PM realizando a contagem dos presos, pois alguns deles aproveitaram-se da confusão para evadir-se do presídio", disse. A secretaria não informou o número de presos que fugiram. 

Segundo a pasta, parte dos detentos que fugiram já foi recapturada e será levada ao Centro de Detenção Provisória de Bauru. Também não informou quantos já foram recapturados.

O CPP 3 funciona no antigo Instituto Penal Agrícola de Bauru e está localizado em uma área "do tipo fazenda", segundo a SAP. "Na última saída temporária, que ocorreu no final de 2016 e início de 2017, 1122 presos foram beneficiados e 1074 retornaram", informou a secretaria. 

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