Presos 9 PMs suspeitos de torturar e matar rapaz

Policiais negaram ter agredido motoboy, achado morto após ser levado para quartel, mas Corregedoria viu contradições nos depoimentos

Josmar Jozino, O Estado de S.Paulo

24 Abril 2010 | 00h00

Nove PMs da 1.ª Companhia do 9.º Batalhão de São Paulo estão presos administrativamente e são investigados por suspeita de torturar e espancar o motoboy Eduardo Luís Pinheiro dos Santos, de 30 anos, no dia 9.

Ele foi encontrado morto três horas após ser abordado por policiais e levado com outros três rapazes para o quartel ao lado do 13.º DP, Casa Verde, zona norte.

A Corregedoria da Polícia Militar recolheu ontem 11 PMs que estavam de serviço na noite da morte de Santos. Uma tenente e um soldado foram liberados porque acompanhavam uma ocorrência fora do quartel. Os outros nove - um sargento e oito soldados - vão ficar detidos por cinco dias. Eles negaram ter espancado o motoboy. O advogado Marcelo Hazan defende dois dos policiais. Ele afirmou que seus clientes são inocentes e, caso não retornem às atividades normais em cinco dias, entrará com pedido de habeas corpus na Justiça.

Crime. Na noite de 9 de abril, o motoboy discutia com os três rapazes por causa de uma bicicleta furtada quando duas viaturas chegaram. Segundo a testemunha, um PM deu um soco no peito de Santos. O motoboy ficou indignado e derrubou o policial. Foi, então, algemado, e levado para o quartel em uma viatura. Os outros rapazes foram conduzidos para a mesma unidade em outra viatura, sendo liberados posteriormente. Por volta de 0h10 do dia 10, PMs avisaram o Centro de Operações da Polícia Militar que tinham encontrado o corpo de um homem negro na esquina das Avenidas Braz Leme e Voluntários da Pátria e que levariam a vítima ao Pronto-Socorro de Santana, onde Santos chegou morto.

Os suspeitos disseram que foram ao 13.º DP para apresentar a ocorrência sobre a discussão. Nenhum dos quatro rapazes, porém, foi levado à delegacia.

Os PMs alegaram que os três rapazes e Santos concordaram em não levar o caso ao DP e preferiram ir para casa. Um dos rapazes apresentou outra versão à Corregedoria: viu Santos ser espancado pelos PMs no quartel.

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