Presos 14 por esquema de segurança

PF deflagrou operação contra policiais e empresários acusados de coagir prefeituras e entidades a contratar vigilância para eventos

Fausto Macedo, Marcelo Godoy e Bruno Tavares, O Estado de S.Paulo

07 Abril 2010 | 00h00

A Polícia Federal deflagrou ontem a Operação Usurpação e cumpriu 14 mandados de prisão e 27 de busca e apreensão em oito cidades - a maioria na região de Itapetininga (SP). Foram capturados na capital e em sete cidades um advogado, oito empresários, o secretário de Cultura de Itapetininga e quatro policiais civis. Eles são acusados de coagir organizadores de festas e de eventos a contratar a empresa de segurança privada Itapé Security.

De acordo com a PF, os investigados comandavam uma "organização criminosa". A empresa pertence a dois delegados, um escrivão, um advogado e um empresário de Cerquilho que eram investigados havia seis meses. Os acusados usavam o nome da PF. As empresas de segurança são submetidas à fiscalização e às regras do órgão federal.

Entre os policiais civis presos há três delegados - entre eles José Antonio Ramos Vieira, seccional de Itapetininga e ex-número dois da Corregedoria da Polícia Civil na gestão de Ruy Estanislau Silveira Mello. A mansão de Ramos, de 600 m², em Itapetininga, foi vasculhada pela PF. Com Ramos foram apreendidos R$ 18 mil em dinheiro e três automóveis - uma S-10 cabine dupla, uma Tucson e um Corolla.

A operação foi desencadeada a partir das 6 horas em São Paulo, Osasco, Itapetininga, Tatuí, Cerquilho, Alambari, Quadra e São Miguel Arcanjo. As prisões e as buscas foram decretadas pela 1.ª Vara Criminal de Itapetininga. Os federais vasculharam as prefeituras de Itapetininga, Cerquilho, Tatuí, Quadra, São Miguel Arcanjo e Alambari e a Delegacia Seccional e a de Investigações Gerais (DIG) de Itapetininga.

Verbas. A PF vai mapear os contratos das prefeituras com a Itapé. "Ainda não temos o valor apurado porque estamos mapeando os eventos e detalhes dos contratos", disse Leandro Daiello Coimbra, superintendente da PF em São Paulo.

Coimbra afirmou que policiais civis identificavam o responsável por um evento, faziam contato, por telefone ou por meio de ofício da Polícia Civil, e o coagiam a contratar a Itapé. "Usavam o falso argumento de que se tratava da única empresa que atuava conforme a legislação", disse Coimbra. Entre as vítimas estão uma Apae em São Miguel Arcanjo e um asilo em Itapetininga, que foram obrigados a contratar a Itapé.

Estrutura pública. A investigação constatou que a estrutura da Polícia Civil, como investigadores e viaturas, era usada pela Itapé. "A DIG tornou-se um autêntico escritório dessa empresa."

Além do seccional, os delegados Alexandre Costa Viana e Ivan Scott, titular e assistente da DIG, também são apontados como chefes da quadrilha. Um escrivão, que já havia sido sócio de outro delegado numa empresa de segurança, intermediava negócios da Itapé na capital.

Coimbra disse que nada indica envolvimento de políticos. A PF informou que "surgiram robustos indícios de fraudes em licitações", com provável participação de servidores. Para a PF, o procedimento "conferia aparência de legalidade".

O inquérito aponta a prática de dez crimes: formação de quadrilha, concussão, falsidade ideológica, uso de documento falso, corrupção ativa, crimes contra a ordem tributária, peculato, prevaricação, porte ilegal de arma e fraudes em licitações. Promotores do Gaeco de Sorocaba e a cúpula da Polícia Civil participaram da apuração.

A ação

27 mandados de busca e apreensão foram

cumpridos ontem

130 agentes

da Polícia Federal participaram da ação

R$ 18 mil

foram apreendidos com os suspeitos

3 automóveis também foram recolhidos

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.