Marianna Holanda/Estadão
Marianna Holanda/Estadão

Preso por estupro na Paulista já tinha outras duas passagens por crime sexual

Diego Ferreira Novais, de 27 anos, já havia sido detido, acusado de estupro, em 2013. No ano passado, ele também foi pego em flagrante por praticar ato obsceno

Felipe Resk e Marianna Holanda, O Estado de S. Paulo

29 Agosto 2017 | 23h05

SÃO PAULO - O ajudante geral Diego Ferreira Novais, de 27 anos, preso em flagrante por suspeita de estuprar uma jovem de 23 anos em um ônibus na Avenida Paulista, no centro de São Paulo, já tinhas outras duas passagens por crimes sexuais, segundo informações da Polícia Civil. O caso mais recente aconteceu na tarde desta terça-feira, 29.

Testemunhas relataram que a jovem estava sentada em um banco ao lado do corredor, no momento em que Novais, de pé na sua frente, tirou o pênis da calça e ejaculou em cima da vítima. O agressor e a vítima estavam em um ônibus da Linha 917 M-10 (Morro Grande-Metrô Ana Rosa). A Polícia Militar foi avisada da ocorrência por volta das 13h20 e prendeu o homem em flagrante.

Segundo investigações da Polícia Civil, Novais já havia sido preso, acusado de estupro, em 2013. No ano passado, ele também foi pego em flagrante por praticar ato obsceno, mas recebeu liberdade do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) após ser apresentado em audiência de custódia.

O suspeito foi transferido para carceragem da Polícia Civil e deve ser apresentado nesta quarta-feira, 30, a um juiz no Fórum da Barra Funda, na zona oeste. A nova audiência de custódia servirá para que o magistrado decida se é necessário manter a prisão do suspeito ou se ele pode responder ao processo em liberdade.

Segundo testemunhas, o motorista parou a condução logo depois do crime, perto do cruzamento da Paulista com a Alameda Joaquim Eugênio de Lima, e mandou todos os passageiros descerem. O agressor, porém, ficou retido no veículo, enquanto a PM era acionada. Em questão de poucos minutos, o local reunia dezenas de pessoas, de curiosos a revoltados com a ocorrência.

Muito abalada, a jovem ficou sentada em um canteiro, em frente ao ônibus, recebendo o apoio de mulheres desconhecidas, que logo ligaram para a sua família. Entre as que ofereceram auxílio, havia uma integrante de uma associação de apoio a vítimas de violência sexual, que passou o contato do grupo.

A vítima foi abordada por várias pessoas que ofereceram de palavras de consolo a até acompanhá-la ao 78.º Distrito Policial (Jardins), onde o caso foi registrado.

Da multidão, outras pessoas gritavam por justiça, além de xingarem e ameaçarem o suspeito de linchamento. Os PMs chegaram rápido, em bicicletas e motos, e se revezaram para falar com o homem. Os agentes também impediram que o grupo chegasse perto do ônibus.

Minutos depois, uma viatura encostou ao lado do ônibus, pelo lado dos carros, e o homem foi levado para a delegacia. Algumas pessoas chegaram perto da escolta para xingar o agressor e os policiais que o conduziam. “Para de protegê-lo”, disseram.

Recorrente. O caso da Paulista aconteceu um dia após a escritora Clara Averbuck, de 38 anos, relatar nas redes sociais ter sido vítima de estupro e agressão física cometidos por um motorista do Uber. “Estou mais forte, vou ficar mais e ninguém me derruba”, declarou a escritora em seu Instagram.

Em nota, a SPTrans lamentou e repudiou o ocorrido em um ônibus do sistema municipal de transportes. "Para abolir esta prática criminosa dos ônibus e outros meios de transporte coletivo na cidade, a SPTrans aderiu à campanha Juntos podemos parar o abuso sexual nos transportes", diz a nota.

Segundo o órgão, o objetivo é buscar a cooperação de instituições públicas e privadas para combater a violência sexual nos transportes. 

"A atitude tomada pelos operadores do ônibus é aquela esperada nestes casos. Motorista e cobrador agiram corretamente impedindo a evasão do agressor até a chegada da polícia e preservando a segurança de todos os passageiros. As autoridades policiais sempre devem ser acionadas para que façam o encaminhamento da ocorrência", diz a SPTrans. 

 

 

 

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