Preso em Copacabana traficante de US$ 5 milhões

Essa era a recompensa oferecida pelos EUA por Nestor Ramon Caro-Chaparro, um dos quatro criminosos colombianos mais procurados do mundo

Marcelo Auler, RIO, O Estado de S.Paulo

17 Abril 2010 | 00h00

No momento em que deixava o Edifício São Carlos do Pinhal, no bairro de Copacabana, zona sul do Rio, o traficante colombiano Nestor Ramon Caro-Chaparro, de 42 anos, um dos homens mais procurados do mundo, foi preso por oito policiais que portavam pistolas Glock. Eram 10 horas, ele usava a identidade de Wilson Humberto Lopes Rodrigues e estava ao lado da namorada, grávida de 7 meses.

A cena foi presenciada por um dos barraqueiros da Praia de Copacabana, que estava apanhando cadeiras no carro. Nestor Ramon Caro-Chaparro não reagiu, mas "estava tremendo muito, muito nervoso".

Agentes americanos. A prisão do colombiano, procurado desde setembro de 2001, quando foi indiciado por tráfico e lavagem de dinheiro no Distrito Leste de Nova York - como integrante do cartel colombiano do Vale do Norte -, começou ao meio-dia de quinta-feira, quando agentes americanos foram ao escritório do Grupo de Investigações Sensíveis (Gise) da Polícia Federal no Rio - instalado fora da superintendência. Anunciaram a localização de um fugitivo, com mandado de prisão pela Interpol e disseram que a recompensa por ele era de US$ 5 milhões. Segundo eles, o traficante há cinco anos morava em Copacabana.

Após a confirmação da existência do mandado de prisão pelo Supremo Tribunal Federal (STF), expedido a partir de um pedido de extradição feito pelo governo americano, os policiais federais e os agentes americanos foram para Copacabana. Sabiam, apenas, por rastreamento de satélite, que o imóvel em que Caro-Chaparro residia era "próximo do Posto 5, uma cobertura e tinha uma ponta meio quadrada na quina da varanda".

Foram agentes brasileiros que fizeram a observação e identificaram uma pessoa com as características do colombiano procurado na janela da cobertura do prédio 3.210, ao lado de uma mulher loura. Passaram toda a noite vigiando o prédio, até as 10 horas de ontem, quando ele saiu ao lado da namorada e houve o cerco narrado pelo ambulante. Caro-Chaparro morava no prédio, segundo alguns vizinhos, há duas semanas. Nos últimos sete dias ele começou a ser visto na praia, onde costumava ir com a namorada grávida.

"É uma pessoa controlada que sabe o que faz, sabe dos riscos do negócio que executa", definiu o delegado federal João Luiz Caetano de Araújo, diretor da Delegacia de Repressão a Entorpecente da Superintendência do Rio. Mas, nas explicações de Araújo, o traficante estava apenas de passagem pelo Rio de Janeiro. "Ele vinha aqui esporadicamente, não há informação de que ele estava há muito tempo no País", esclareceu. E acrescentou: "Como ele utiliza vários nomes falsos, a gente não tem como saber quantas vezes passou pelo Brasil." Desta vez, o traficante chegou no dia 13 de março, pelo Aeroporto Tom Jobim, vindo da Venezuela como Wilson Humberto.

Segundo o delegado, ele não era ligado efetivamente a nenhum cartel, mas encabeçava a operação de tráfico que, passando pelo Brasil, remetia toneladas de cocaína para a região de Nova Inglaterra, no Leste dos Estados Unidos. Estava entre os quatro maiores traficantes colombianos.

Rota duvidosa. "Ele chefiava uma organização grande, por isto que o qualificam como do nível do Abadia", afirmou Araújo. Segundo dados do Departamento de Estado norte-americano, em um ano ele teria remetido 5 toneladas da droga. A Polícia Federal brasileira, porém, não sabe como a cocaína chega da Colômbia no Brasil e por qual porto ela é exportada em contêineres para a América do Norte.

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