Werther Santana/Estadão
Werther Santana/Estadão

Prefeitura quer táxi preto como padrão paulistano

Secretaria de Transportes sorteia os primeiros alvarás do novo serviço, que terá tarifa até 25% mais cara e usará carros mais luxuosos

Rafael Italiani, O Estado de S.Paulo

10 Dezembro 2015 | 13h15

Atualizada às 20h13

SÃO PAULO - A Prefeitura de São Paulo sorteou nesta quinta-feira, 10, os 5 mil primeiros alvarás da nova categoria de táxi preto. Surgida em meio à disputa com o Uber, a nova modalidade já é vista pela gestão Fernando Haddad (PT) como o futuro do serviço na capital paulista. Hoje, a frota de táxis brancos, para as quais não deverá mais haver liberação de alvarás, é de 33 mil veículos.

A ideia é oferecer um “serviço diferenciado” para os passageiros. Segundo o secretário municipal de Transportes, Jilmar Tatto, a migração dos atuais profissionais será opcional. Os táxis pretos devem ter ar-condicionado, atender chamados apenas por aplicativos de smartphones, além de ter bancos de couro e outros opcionais, como internet.

De acordo com Tatto, o taxista que quiser migrar para o novo serviço terá de vender seu carro e comprar um novo, mais luxuoso, conforme as determinações do Departamento de Transporte Público (DTP). Para ele, é o que se deseja para o serviço na capital. “Nós queremos mudar o padrão na cidade. Colocamos como razoável ou de excelência o táxi preto. Então, se nós tivermos de abrir novas vagas para táxi será de preto”, disse. 

As tarifas serão 25% mais caras do que as da categoria comum e esses profissionais não podem trafegar nos corredores e nas faixas para não atrapalhar o andamento do transporte público coletivo, explicou Tatto. Mas benefícios futuros não estão descartados. “Tem de ter estudo e para isso os carros (pretos) têm de estar na rua.” 

Segundo Daniel Teles, diretor do DTP, é “difícil” que todos os veículos brancos migrem. “Normalmente, o mercado se ajusta. Então, dificilmente essa hipótese vai se concretizar. A categoria comum é bem consolidada”, afirmou. Os novos veículos pretos devem começar a rodar a partir de janeiro, após a publicação da lista de vencedores no Diário Oficial da Cidade.

Festa. Na sede do DTP, no Pari, região central, o clima nesta quinta era de festa após o sorteio, que foi feito de forma eletrônica e durou o tempo de um clique no mouse do computador. Os ganhadores foram definidos pelo cruzamento entre os dados do sorteio de quarta da Loteria Federal e números da Nota Fiscal Paulista e da inscrição. “Agora eu me sinto livre para a vida. Este alvará vai ser para sempre meu e mudar a minha vida”, disse Cleyldson de Queiroz, de 37 anos. Apesar de já ter definido o veículo preto que vai comprar – um Citroën Sentra –, a mudança não será imediata. Por enquanto, continuará trabalhando em uma frota.

Mais conteúdo sobre:
SÃO PAULO Jilmar Tatto

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.