1. Usuário
Assine o Estadão
assine

Prefeitura quer comprar prédio do Cine Belas Artes

Diego Zanchetta e Nataly Costa, com colaboração de Rodrigo Burgarelli

08 Janeiro 2013 | 22h 34

Secretário de Cultura pretende transformar o espaço, fechado desde 2011, em centro cultural e acabar com a disputa pelo imóvel

A gestão do prefeito Fernando Haddad (PT) planeja desapropriar o prédio onde funcionou o Cine Belas Artes e transformá-lo em espaço cultural da Prefeitura de São Paulo. O novo secretário municipal de Cultura, Juca Ferreira, tem como uma das primeiras tarefas pôr fim à polêmica criada após o fechamento do cinema, em 2011. Ferreira estuda declarar de utilidade pública o imóvel para evitar uma possível ocupação comercial, como pretende o atual proprietário.

Segundo Fábio Luchesi Filho, advogado de Flávio Maluf, dono do imóvel, as negociações para alugá-lo estão em "fase avançada". "Logo, logo, vocês vão ver uma loja funcionando ali", disse ontem ao Estado. A maior dificuldade em transformar o imóvel é o fato de a fachada ser tombada (veja quadro). Hoje, o prédio está pichado e abandonado.

O secretário Juca Ferreira tem como viabilizar a requalificação do prédio por meio de dois projetos de lei que passaram a tramitar na Câmara Municipal no dia 2. Assinados por seis vereadores, entre eles dois secretários do atual governo, Eliseu Gabriel (Trabalho e Empreendedorismo) e Chico Macena (Coordenação das Subprefeituras), as propostas permitem que o Município declare de utilidade pública o prédio do antigo cinema.

O próprio Gabriel se reuniu com Ferreira anteontem para tratar do assunto. O secretário do Trabalho apresentou dados da CPI do Belas Artes, encerrada no ano passado, que recolheu assinaturas de mais de 7 mil pessoas e 70 entidades e organizações não-governamentais favoráveis à volta do cinema.

Parceria

Nos próximos dias, o secretário de Cultura vai receber representantes do Movimento Belas Artes (MBA), entidade que defende a manutenção de um cinema de arte no espaço. Uma das ideias do governo é comprar o imóvel e tentar uma parceria com a iniciativa privada para transformá-lo em centro multicultural, com exposições e filmes de arte.

"Estou esperançoso. O poder público está tendo uma visão abrangente. Cultura não é só entretenimento. É economia, é educação, é saúde para quem a consome", disse o escritor Afonso Júnior, um dos integrantes do MBA.

Prioridades

Apesar de destacar que a desapropriação "é a única medida jurídica que garante o uso do prédio como cinema", diferentemente do tombamento, o advogado Marcelo Manhães, representante da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) no Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio (Conpresp), acredita que a decisão do governo Fernando Haddad é uma "medida política". "O público que hoje frequenta cinema de rua é muito restrito e o dinheiro pode ser aplicado em outras prioridades", afirma. "Não é o espaço que retrata a importância do cinema, e sim o conceito dele. Então pode ser em outro lugar, não naquela localização tão famosa e tão cara."

Procurado, Eliseu Gabriel não respondeu as ligações da reportagem. A assessoria de imprensa de Haddad confirmou que o governo estuda desapropriar o imóvel.