Prefeitura diz que ainda não autorizou derrubada no local

Mas administração não afasta possibilidade de liberar obras e já pediu informações ao Ministério Público

Bruno Ribeiro e Diego Zanchetta, O Estado de S.Paulo

09 Março 2014 | 02h01

A Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente afirma que não há nenhuma autorização concedida pelo poder público que permita a derrubada de árvores nos terrenos citados nesta reportagem. Segundo a Pasta, a Prefeitura já enviou ao Ministério Público Estadual (MPE) informações solicitadas pela Promotoria de Justiça do Meio Ambiente para o inquérito que apura o caso. O MPE afirma que as informações ainda não chegaram ao órgão.

A secretaria, entretanto, não afasta a possibilidade de liberar obras no local. "Referente à construção das duas torres em frente ao Parque Burle Marx (empreendimento da Camargo Corrêa), foi emitido comunique-se no qual solicitamos adequar as plantas para nova análise da emissão do parecer técnico. Portanto, até o momento, não existe autorização nenhuma para o corte de árvores no terreno, assim como não foi constatado córrego ou nascente no local", afirma a pasta.

Sobre o terreno do projeto da Cyrela, a Prefeitura informou que "existe um processo administrativo, que atualmente está em análise. Até o momento, não foi emitida nenhuma autorização de manejo arbóreo para esta área", diz a Prefeitura.

Construtoras. As duas construtoras citadas confirmam a intenção de construir torres nas áreas. Ambas, no entanto, afirmam que vão respeitar a legislação ambiental.

A Cyrela informa, também em nota, que o Fundo Panamby pretende empreender "em apenas três dos lotes e que serão inteiramente preservados os quatro demais lotes nos quais está localizado o curso de água existente".

Segundo a empresa, as plaquinhas que tanto assustam os moradores da região fazem parte do catálogo que está sendo feito das espécies da região. "A única atividade que (a Cyrela) realizou no local foi catalogar os exemplares arbóreos, o que implica somente levantamento e cadastramento das espécies existentes, relatório este que é exigido pela Prefeitura no processo de aprovação do empreendimento em curso. É importante ressaltar que até o momento não houve intervenção no terreno, incluindo corte ou remoção da área verde", diz a empresa. Na nota, a Cyrela "reafirma sua postura ética e reforça que aguarda os trâmites legais para dar andamento ao processo dentro da lei".

Sem enviar nota por escrito, a Camargo Corrêa disse que, como o alvará de construção pleiteado pela empresa no local foi indeferido pela Prefeitura, a construção das duas torres foi suspensa, mas que o projeto será readequado. A empresa também nega que tenha derrubado árvores no local, mas confirma que também faz catálogo da vegetação. 

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