Alex Silva/Estadão
Alex Silva/Estadão

Prefeitura de SP vê redução em 80% nos usuários da Cracolândia

Após 1 ano do ‘De Braços Abertos’, Luz teria fluxo diário de 300 viciados; reportagem acha pelo menos 700 na área

Paula Felix, O Estado de S. Paulo

20 Janeiro 2015 | 03h00

SÃO PAULO - A Prefeitura de São Paulo divulgou em seu site o balanço do primeiro ano de funcionamento do programa “De Braços Abertos”, que oferece trabalho e moradia para usuários de drogas na área conhecida como Cracolândia, na Luz, região central de São Paulo. Segundo a gestão municipal, houve redução de 80% na concentração de pessoas que usam crack - o “fluxo” - no trecho entre a Alameda Cleveland e a Rua Helvétia, onde foi instalado um posto do programa municipal.

De acordo com a Prefeitura, o fluxo era de 1.500 pessoas por dia e caiu para 300 no período. Na tarde desta segunda-feira, 19, a reportagem esteve na região e registrou ao menos 700 pessoas no local, algumas dormindo e outras usando crack. A favelinha de lona, construída contra a vontade do projeto por facilitar o tráfico e ocupar a calçada, estava montada e reunia grupos de usuários.

Ao todo, o programa tem 453 beneficiários cadastrados, dos quais 321 trabalham com varrição de ruas e recebem R$ 15 por dia. Outros 21 já estão trabalhando fora do programa e 16 foram contratados por uma empresa para prestar serviços em equipamentos da Prefeitura. Eles ganham R$ 820 por mês.

No período, de acordo com a gestão, foram realizados mais de 54 mil atendimentos de saúde e 599 odontológicos. O levantamento traz ainda um mapeamento da escolaridade das pessoas atendidas pelo programa. O número de beneficiários que estudaram até o 4.º ano do ensino fundamental é o maior dentro do balanço: 96. Apenas cinco pessoas cadastradas têm curso superior completo e 13 não são alfabetizadas.

Segurança. Ainda segundo o balanço, houve redução da criminalidade na Cracolândia. O número de furtos caiu de 582 em 2013 para 392 no ano passado. Já a apreensão por tráfico de entorpecentes aumentou de 96 para 176 no mesmo período. Os dados são da Polícia Militar.

Presidente do Conselho Comunitário de Segurança de Santa Cecília, Fábio Fortes criticou os dados. “Isso é uma fantasia. Os crimes não diminuíram. As pessoas perderam a disposição para fazer o boletim de ocorrência. Esse relatório está debochando da comunidade local e dos bairros vizinhos”, reclama.

Por meio da assessoria, a Prefeitura informou que o fluxo da Cracolândia é flutuante e varia de acordo com o dia e o horário. Informou ainda que o número de usuários é relatado com base no número de pessoas que frequentam a região diariamente.

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